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Rodolfo Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rodolfo Rodrigues: Crespo não merece ser demitido agora pelo São Paulo

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Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

Colunista do UOL

04/10/2021 14h15

A diretoria ou cúpula do São Paulo se reuniu na manhã desta segunda-feira (4) para avaliar o trabalho do técnico Hernán Crespo e sua comissão técnica. Depois de mais um mau resultado no Brasileirão — empate por 1 x 1 contra o lanterna Chapecoense —, o trabalho do treinador argentino voltou a ser questionado internamente. E ao que tudo indica, o clássico contra o Santos, no Morumbi, na próxima quinta-feira (7), pela 24ª rodada, pode ser sua derradeira chance no comando da equipe.

Contratado no início de 2021, após a demissão de Fernando Diniz na desastrosa reta final do Brasileirão de 2020, Crespo assumiu o clube apenas em fevereiro no início da temporada 2021, no Paulistão. No Campeonato Estadual, fez uma grande campanha com o tricolor, foi o melhor time da primeira fase e depois conduziu o time ao título Paulista depois de 16 anos, em cima do forte Palmeiras e quebrando ainda um incômodo jejum de 9 anos sem conquistas no geral.

Até o jogo do título sobre o Palmeiras, o São Paulo de Crespo conseguiu um aproveitamento de 71,4% em 21 jogos (13 vitórias, 6 empates e apenas 2 derrotas), com 44 gols feitos (2,10 por jogo) e 13 gols sofridos (0,62). Depois do título estadual, porém, o rendimento do time caiu absurdamente. Em 34 jogos, o aproveitamento caiu para 45,1% (11 vitórias, 13 empates e 10 derrotas), com 45 gols feitos (1,32 por jogo) e 39 gols sofridos (1,15).

Depois do título Paulista, o São Paulo ficou 9 jogos sem vitória no início do Brasileirão, caiu para a zona do rebaixamento e até agora não conseguiu se recuperar — ocupa hoje a 13ª colocação com o 4º pior ataque da competição. Para piorar, o time foi eliminado da Libertadores nas quartas de final pelo Palmeiras e pelo Fortaleza, nas quartas da Copa do Brasil.

Apesar dessa sequência ruins de resultados pós-Paulistão e da enorme cobrança, acredito que Crespo ainda mereça continuar no São Paulo. Não vejo nele a culpa por esses resultados ruins. Coloco, muito mais, na conta de alguns jogadores e até da diretoria, o momento em que o clube passa agora. Quando iniciou a temporada, Crespo pegou o time em baixa, depois de perder o título Brasileiro com uma péssima campanha na reta final.

Sob o comando de Crespo, o São Paulo ganhou padrão de jogo, recuperou o bom futebol de alguns jogadores, como Gabriel Sara, Liziero, Welington e Léo, e voltou a ganhar um título. A queda nas quartas de final para o Palmeiras não foi um absurdo. De fato, seria quase impossível ver esse time superando Palmeiras, Atlético-MG e Flamengo para chegar ao título sul-americano. Na Copa do Brasil, a eliminação para o Fortaleza foi dura, ainda mais depois de o time abrir 2 x 0 no jogo de ida, no Morumbi, e levar o empate.

Já no Brasileirão, a sequência ruim no início do campeonato e o falta de gols pesaram bastante para essa campanha decepcionante — o time chegou a ser apontado como candidato ao título lá no começo da competição. Mas Crespo sofreu também com a queda de rendimento de vários jogadores, sem falar nos jogadores lesionados.

Tiago Volpi passou a falhar bastante. Daniel Alves saiu o time e conturbou demais o ambiente — e até agora o time não tem um substituto. Reinaldo virou banco. Luciano, artilheiro do último Brasileirão, sofreu várias lesões e pouco jogou. Pablo, nada rendeu. Benítez, sumiu depois de ser eleito o melhor jogador do Paulistão. Gabriel Sara e Igor Gomes não repetiram mais o bom futebol do início do ano.

Restam apenas 16 jogos para o São Paulo terminar a temporada. Acho que ainda dá tempo de Crespo acertar esse time e conseguir uma vaga para a Libertadores de 2022, ainda que na fase preliminar. No balanço geral, fechando o ano com essa vaga e o título Paulista, já está ok. O time tem como melhorar para 2022. Mudar de treinador e filosofia agora, seria uma perda de tempo. Ainda mais pelas opções que temos no mercado de treinadores.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL