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Rodolfo Rodrigues

Desmoralizado em 2019, Abel Braga pode fazer história novamente pelo Inter

Abel Braga comanda o Inter de olho na disputa pelo título do Brasileiro - Ricardo Duarte/Inter
Abel Braga comanda o Inter de olho na disputa pelo título do Brasileiro Imagem: Ricardo Duarte/Inter
Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

Colunista do Uol

22/01/2021 04h00

Tinha apenas 14 anos quando vi por acaso a delegação do time do Inter no início de 1989, em Belo Horizonte. Aquilo me marcou muito. O Colorado tinha Taffarel, Nílson, Maurício e o técnico Abel Braga, que fazia seu primeiro trabalho pelo clube, há exatos 32 anos. Naquele Brasileirão (1988), Abelão foi vice-campeão brasileiro e depois levou o time à semifinal da Libertadores de 1989.

Depois de rodar por vários clubes, inclusive o Inter em 1995, Abelão marcou definitivamente seu nome na história do Colorado em 2006, quando conquistou a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes em cima do Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Depois disso, foi ainda campeão gaúcho em 2008 e 2014 e teve outro grande momento na carreira quando ganhou o Brasileirão de 2012 pelo Fluminense.

Em 2019, porém, passou por um período ruim em sua larga carreira de treinador, que começou em 1985, há 36 anos, no pequeno Olaria-RJ. Campeão carioca com o Flamengo em 2019, Abel foi bastante criticado por não conseguir fazer o time render o esperado. Acabou pedindo demissão, alegando não suportar traição. Depois disso, o Fla acertou com Jorge Jesus, recebeu reforços como Gerson, Rafinha e Filipe Luís, e foi campeão Brasileiro e da Libertadores.

Abel Braga, no segundo semestre, teve a dura missão de evitar o rebaixamento do Cruzeiro no Brasileirão. Não conseguiu, deixou o clube faltando quatro rodadas para o fim o campeonato, após a derrota para o CSA por 1 x 0 no Mineirão. Para muitos, o treinador representava o fracasso da velha guarda entre os técnicos nacionais. Ainda mais pelo sucesso dos estrangeiros.

Contratado para suprir a surpreendente saída do argentino Eduardo Coudet na metade do Brasileirão 2020, Abel pegou o Inter num momento complicado. Nos primeiros jogos, foi eliminado das quartas de Copa do Brasil pelo América-MG e depois das oitavas de final da Copa Libertadores pelo Boca Juniors, além de ficar 4 jogos sem vitória no Brasileirão. Novamente, para muito, sua volta ao Colorado não fazia sentido.

Mas Abelão deu a volta por cima. A vitória sobre o Boca Juniors na Argentina por 1 x 0, apesar da eliminação nos pênaltis, deu início ao processo. O Colorado, depois disso, venceu 7 jogos seguidos no Brasileirão, tirou 12 pontos de vantagem sobre o líder São Paulo e reassumiu a liderança com uma atuação história, aplicando a maior goleada no São Paulo em sua história no Morumbi (5 x 1).

De Dinossauro e esculhambado, Abel Braga tornou-se símbolo de uma reação impressionante na história do Brasileirão. Nesse pouco tempo à frente do time, o treinador de 68 anos conseguiu mudanças significativas. Na zaga, depois de perder Rodrigo Moledo, por lesão, conseguiu encaixar o jovem Lucas Ribeiro, de 21 anos que estava encostado com Coudet. O volante Rodrigo Dourado, que ficou quase 2 anos afastado por lesão, recuperou seu espaço com Abelão e tornou-se um diferencial da equipe.

Além disso, o experiente técnico deu espaço para jovens como Caio Vidal, Peglow, Praxedes e Yuri Alberto, que brilharam nessa sequência inédita de 7 vitórias do time nos pontos corridos (desde 2003). Nem mesmo a ausência de Thiago Galhardo, o grande nome do time no 1º turno, foi sentida nesses últimos jogos. Assim como a saída do capitão e experiente meia D'Alessandro.

Com 333 jogos pelo Inter, Abel Braga está agora a 5 jogos de superar Teté (337) e se tornar o técnico com mais jogos na história do Internacional. Único que levou o clube ao título Mundial, Abelão pode, além de ser o número 1 em jogos, o responsável por quebrar o jejum de 41 anos sem o título do Brasileirão. Não é pouco. Abel merece mais respeito.

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