PUBLICIDADE
Topo

Rodolfo Rodrigues

Genialidade de Maradona foi em campo e não nos números, como Pelé e Messi

Maradona com a Copa em 1986 - Reprodução/Arquivo AFA
Maradona com a Copa em 1986 Imagem: Reprodução/Arquivo AFA
Conteúdo exclusivo para assinantes
Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

25/11/2020 14h56

Morreu nesta quarta-feira (25), aos 60 anos, Diego Armando Maradona, após uma parada cardiorrespiratória. Maior ídolo do futebol argentino, o eterno camisa 10, que ganhou a Copa do Mundo de 1986, é considerado por muitos como o melhor jogador da história.

Nos números e nas conquistas, Maradona fica bem atrás de Pelé e Messi, que também para muita gente são os maiores de todos os tempos. Com a bola nos pés, o eterno ídolo de Napoli e Boca Juniors foi, na minha opinião, tão genial ou até mais que os outros dois monstros do futebol. Dono de um domínio impressionante e um drible seco e rápido, Maradona se sobressaía com suas arrancadas, visão de gol privilegiada e uma boa finalização. Mas o seu poder de improviso era algo inesquecível, que nos faz rever até hoje com encanto e surpresa.

Em sua carreira, entre 1976 e 1998, Maradona disputou 720 jogos e marcou 362 gols em jogos oficiais. Messi, atualmente, tem 711 gols em 884 jogos oficias. Pelé, também sem contar amistosos, marcou 762 gols em 832 partidas. Nos títulos, Pelé conquistou 35, Messi 33 e Maradona 10.

Revelado pelo Argentinos Juniors, Maradona estreou profissionalmente a dez dias de completar 16 anos. Pelé estreou com 16 anos e 10 meses pelo Santos. No pequeno clube de Buenos Aires, Maradona jogou de 1976 a 1980, marcando 116 gols em 166 jogos (média de 0,70 por partida). Neymar, em quatro anos de Santos, fez 138 gols em 230 jogos (média de 0,60 por partida).

Com o Argentinos Juniors, Maradona não foi campeão (chegou no máximo às quartas de final em 1980). Porém, foi cinco vezes artilheiro seguido - eram disputados dois campeonatos por ano -, e é até hoje o único jogar do clube a marcar mais de 100 gols na competição. Nesse período, em 1977, quando tinha 16 anos e 4 meses, Maradona fez sua estreia pela seleção argentina principal. Pelé estreou com 16 anos e 9 meses. Já em 1979, conduziu a seleção sub-20 ao título mundial.

Em 1981, aos 20 anos, Maradona foi vendido ao Boca Juniors-ARG por 4 milhões de dólares (valor altíssimo para época). No mesmo ano, o Barcelona-ESP pagou 1,5 milhão de dólares por Roberto Dinamite, do Vasco. Pelo novo clube, em 1981, Maradona disputou apenas uma temporada, fez 46 gols em 69 jogos (0,67 por jogo) e sagrou-se campeão argentino. O Boca, seu time de coração, só viria a ser campeão nacional novamente em 1992.

Após disputar a Copa do Mundo na Espanha, Maradona foi vendido ao Barcelona por 7,3 milhões de dólares, a maior transferência de um jogador na história. Pelo clube espanhol, na primeira temporada (1982/83), disputou 36 jogos e marcou 23 gols. Em sua melhor temporada, Messi fez 75 gols em 61 jogos (2011/12). Foi campeão da Copa do Rei da Espanha, da extinta Copa da Liga Espanhola e da Supercopa Espanhola. No Campeonato Espanhol, foi 4º colocado com o Barça, e na Recopa Europeia caiu nas quartas de final após ser desclassificado pelo Áustria Viena-AUT.

Em sua segunda temporada pelo clube catalão (1983/84), Maradona não ganhou títulos - foi 3º no Campeonato Espanhol, caiu novamente nas quartas de final da Recopa (perdeu para o Manchester United-ING) e perdeu a final da Copa do Rei, para o Athletic Bilbao, quando arrumou uma enorme confusão. Pelo Barcelona, então, em duas temporadas, marcou 38 gols em 58 jogos (0,66). Em seus primeiros 58 jogos pelo Barça, Neymar marcou 30 gols.

Sem clima e em conflito com a diretoria, Maradona aceitou a surpreendente proposta do Napoli, que pagou 13 milhões de dólares por seu passe em julho de 1984, quebrando novamente o recorde de transferência no futebol mundial.

Pelo clube italiano, Maradona fez sua estreia aos 23 anos e logo encantou. Na primeira temporada (1984/85), foi o terceiro maior artilheiro com 14 gols (quatro atrás de Platini) e 8º no Campeonato Italiano. Na segunda temporada (1985/86), levou o clube ao 3º lugar, antes de se consagrar na Copa do Mundo do México, onde levou a Argentina ao título mundial.

Já na terceira temporada (1986/87), carregou o time do Sul da Itália ao inédito título nacional e ganhou ainda a Copa da Itália. Na quarta temporada (1987/88), foi vice-campeão nacional e artilheiro do Italiano. Na quinta temporada (1988/89), foi novamente vice no Italiano e deu o primeiro título internacional ao Napoli, ao vencer a Copa da Uefa. Já em 1989/90, voltou a conquistar a Série A italiana, antes de ser vice-campeão da Copa do Mundo com a seleção argentina.

Pelo Napoli, onde ficou até meados de 1991, Maradona disputou 259 jogos e marcou 115 gols, tornando-se o maior artilheiro do clube. Hamsik (121) e Mertens (123), o superaram recentemente. O uruguaio Cavani, que jogou de 2010 a 2013, fez 104 gols. Careca, brasileiro, contemporâneo de Maradona, marcou 95 gols, quatro a mais do que o argentino Higuaín.

Em 1991, acabou suspenso do futebol por 15 meses devido ao uso de cocaína. Voltou a jogar em 1992, aos 32 anos, pelo Sevilla-ESP, mas sem brilho. No Campeonato Espanhol, disputou 26 jogos, marcou apenas 5 gols e terminou na 7º colocação. Na temporada seguinte, 1993/94, voltou para a Argentina para defender o Newell's Old Boys. Mas, por lá, fez apenas sete jogos, sem marcar gol, antes de se lesionar e não vestir mais a camisa do clube. Seu último jogo pelo Newell's, aliás, em fevereiro de 1994, foi num amistoso (0 x 0), contra o Vasco, de Dener.

Pouco depois, Maradona voltou para jogar a Copa do Mundo dos Estados Unidos. Porém, foi pego novamente no exame antidoping e suspenso outra vez por 15 meses. Assim, somente no final de 1995, perto de completar 35 anos, voltou a jogar e regressou ao Boca Juniors. Ficou por lá até o final de 1997, onde encerrou a carreira após disputar 41 e marcar 8 gols.

Títulos:
Seleção Argentina
Copa do Mundo (1986)

Boca Juniors-ARG
Campeonato Argentino - Metropolitano (1981)

Barcelona-ESP
Copa do Rei da Espanha (1983)
Copa da Liga Espanhola (1983)
Supercopa Espanhola (1983)

Napoli-ITA
Copa da Uefa (1989)
Campeonato Italiano (1987 e 1990)
Copa da Itália (1987)
Supercopa Italiana (1990)

Você pode me encontrar também no twitter (@rodolfo1975) ou no Instagram (futebol_em_numeros)