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Rodolfo Rodrigues

Rodrigo Rodrigues, o cara que tratava todo mundo como amigo

Rodrigo Rodrigues e Rodolfo Rodrigues na redação da Revista Placar em 2017 - Rodolfo Rodrigues/Arquivo pessoal
Rodrigo Rodrigues e Rodolfo Rodrigues na redação da Revista Placar em 2017 Imagem: Rodolfo Rodrigues/Arquivo pessoal
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Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

28/07/2020 15h09

Conheci Rodrigo Rodrigues pessoalmente na redação da Revista Placar em 2017, em sua breve passagem por lá como apresentador do programa Placar ao Vivo, exibido no Facebook sempre às 12h. Como se fosse um velho amigo, ele me recebeu muito bem e me deixou bastante à vontade para participar do seu programa e falar sobre o Guia do Brasileirão 2017.

Rodrigo costumava levar ex-jogadores, muitos que ele próprio entrevistou na época de ESPN, como Luizão, Djalminha, Vampeta, Edílson, e que aceitavam seu convite sem titubear. Era incrível como sempre tinha alguém disponível para dividir sua bancada, num programa que nem tinha o glamour de um desses de TV.

E no dia em que fui lá, Rodrigo, já sabendo do meu pouco jeito em frente às câmeras, foi logo me tranquilizando. "Deixa comigo. Se apertar eu resolvo aqui". E funcionou. O início da conversa foi, claro, dos nossos nomes parecidos, dois RR, e sobre o ex-goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez. Foi o jeito dele deixar a entrevista leve. Característica marcante em sua trajetória com o apresentador.

Fui ao seu programa na Placar mais algumas vezes e ainda o encontrei na redação antes dele rumar para o Esporte Interativo e, posteriormente, TV Globo. Num desses encontros, ele até me chamou para uma selfie, sempre me chamando carinhosamente de "quase xará". Nesse período, foi sempre solícito nas mensagens trocadas por WhatsApp. O cara brincalhão e humilde lá dos tempos de Placar, de vacas magras, era o mesmo daquele da Globo.

Roqueiro e grande músico, Rodrigo me marcou também quando o assunto foi os Beatles aqui em casa. Brincávamos de encontrar versões da música Nowhere Man e caímos num vídeo de RR com Paulo Ricardo. Minha esposa, Luciana Bugni, que fez um texto lindíssimo aqui sobre o Rodrigo Rodrigues, até brincou com ele sobre isso. Pouco depois, após uma festa na casa dos meus pais, resolvi mandar um vídeo do meu filho Gustavo tocando e cantando a música para ele. RR estava de férias, em Berlim, e mesmo assim, às 3h da madruga, respondeu logo em seguida. "Mostra aqui a minha versão para ele", com um vídeo gravado naquela noite.

Coincidentemente, numa rara visita à casa dos meus pais nessa quarentena, contei ao meu pai essa história e ficamos vendo diversos vídeos do Rodrigo, tanto no seu Instagram, quanto nas versões dos Beatles no YouTube. Saímos de lá com a vontade de convidá-lo para tocar e participar de um desses churrascos. No dia seguinte, domingo (26) vimos a triste notícia do seu grave estado. E hoje recebemos a devastadora notícia de sua morte. Triste perder um cara do bem e tão querido no meio esportivo e musical. Descanse em paz, querido. Sentiremos muito sua falta nas bancadas e nos covers musicais nas redes sociais.