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No Brasileirão unificado, desde 1959, Pelé é apenas o 15º maior artilheiro

Primeiro dia no Santos, em 1956 - José Dias Herrera
Primeiro dia no Santos, em 1956 Imagem: José Dias Herrera
Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

14/07/2020 18h16

Durante essa pandemia do coronavírus, aproveitei meu tempo para atualizar algumas planilhas de futebol. Entre elas, uma sobre o Campeonato Brasileiro. No início dos anos 2000, ainda na revista Placar, ajudei a montar a primeiro arquivo com os dados desde 1971. Desde então, venho atualizando ano a ano e acrescentando novas informações. Agora, em 2020, resolvi, com a ajuda do amigo Paulo Vinícius Coelho, o PVC, rechear esse arquivo com as fichas completas da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa ou Taça Prata.

Com a unificação dos títulos dos campeonatos nacionais feitas pela CBF há quase dez anos, em 2010, acredito que faltava juntar todos esses dados e levantar estatísticas inéditas sobre esses 60 anos de disputa. Nunca fui muito favorável a unificação, principalmente da Taça Brasil. Assunto, aliás, já abordado aqui no UOL recentemente (Veja no especial: Bahia, o primeiro campeão brasileiro). Mas, como pesquisador e curioso por essas estatísticas, resolvi então me dedicar a isso. E um dos resultados desse trabalho que trago á a lista dos maiores artilheiros do Brasileirão unificado, entre 1959 e 2019.

Roberto Dinamite, ex-Vasco, que jogou incríveis 21 edições, ainda segue como recordista com 190 gols. Líder desde 1980, quando superou a casa dos 100 gols e deixou Pelé para trás, o ex-centroavante jamais foi superado desde então. Com 36 gols a mais do que Romário, o segundo colocado, e 43 a mais do que Fred, o maior artilheiro em atividade, Dinamite deve ainda ter um longo reinado. Gabigol, artilheiro das duas últimas edições, tem hoje 67 gols, pouco mais de um terço dos gols de Dinamite.

Maiores artilheiros do Brasileirão unificado: a corrida dos gols

Roberto Dinamite fez cinco gols em duelo com o Corinthians; capa Globo Esportivo - Reprodução - Reprodução
Roberto Dinamite fez cinco gols em duelo com o Corinthians; capa Globo Esportivo
Imagem: Reprodução

Maior campeão nacional com seis títulos (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965 pela Taça Brasil) e 1968 (pelo Robertão)), ao lado do ex-volante Lima e ex-ponta esquerda Pepe, o Rei Pelé foi o maior artilheiro da história da Taça Brasil com 30 gols em 32 jogos e também do antigo Robertão, com 37 gols em 57 jogos. No Brasileirão, onde disputou quatro edições (1971 a 1974), o ex-camisa 10 do Santos fez 34 gols em 84 jogos. Assim, com 101 gols foi o maior goleador em Brasileiros até 1979. Na lista geral, porém, hoje ocupa apenas o 15º lugar, ao lado de Evair. Uma curiosidade sobre o Rei, é que ele marcou três gols em um único jogo, o hat-trick, em cinco jogos, e anotou quatro em uma só partida uma única vez, em 1973, com a Portuguesa.

Entre os 30 principais artilheiros do Brasileirão, apenas Pelé e Dario, o Dadá Maravilha, atuaram em edições anteriores a de 1971, quando iniciou-se a era do Campeonato Brasileiro. Entre eles, na média de gols, o melhor ainda segue sendo Careca, ex-Guarani e São Paulo, com 0,71 gol por partida, seguido por Serginho Chulapa (0,69) e Washington, o Coração Valente, ex-Fluminense, Athletico-PR e São Paulo, que tem 0,63 por jogo. Romário, com 0,61, é o quarto melhor, seguido por Pelé (0,58).

Na era dos pontos corridos, desde 2003, Fred, que está de volta ao Fluminense, é o maior artilheiro com 147 gols, 40 a mais do que Diego Souza, hoje no Grêmio. Gabigol, com 67, está na 22ª posição. Nos próximos dias, publicarei aqui a lista dos maiores artilheiros dos clubes da Série A 2020 na história do Brasileirão unificado.