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Rafael Oliveira

Estreia de Felipão ficou entre a alarmante realidade e o alívio da vitória

Luiz Felipe Scolari durante o confronto entre Operário e Cruzeiro, pela Série B - João Vitor Rezende Borba/AGIF
Luiz Felipe Scolari durante o confronto entre Operário e Cruzeiro, pela Série B Imagem: João Vitor Rezende Borba/AGIF
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

Colunista do Uol

21/10/2020 00h46

O Cruzeiro conseguiu uma importante vitória sobre o Operário na estreia de Felipão. Foi um jogo sofrível entre dois times em baixa na Série B. A novidade foi, de fato, o resultado.

Após um dia de trabalho, obviamente seria impossível fazer qualquer cobrança ou avaliação sobre ideias de jogo. O impacto seria apenas anímico. Aquele efeito psicológico gerado pela troca de comando e suas naturais consequências para um grupo sem confiança.

O principal nem é se tal efeito funciona. O relevante é se o trabalho, seja ele qual for, vai além da "chacoalhada" que muitas vezes motiva mudanças e discursos no futebol brasileiro.

Mas, diante do cenário atual do Cruzeiro, o impacto imediato também era importante. Não só pela urgência na tabela, mas até pela frustrada experiência anterior de troca de técnico.

A atuação do primeiro Cruzeiro de Felipão esteve longe de agradar. Aliás, a partida foi muito pobre dos dois lados. E nem foi o habitual cenário de precisar abrir uma defesa recuada. O Operário também tentava trabalhar as jogadas, mas também esbarrava nas limitações. Até cedia algum espaço, mas o Cruzeiro não aproveitava.

Do quarteto ofensivo, apenas Régis produziu lances de qualidade. Arthur Caíke (apesar do gol) e Marquinhos Gabriel tiveram atuações bem fracas.

O próprio lance isolado do gol evidencia a importância de alguém com a característica de Airton, que pode criar perigo a partir das arrancadas e que poderia ter entrado bem antes na partida.

No fim, a defesa salvadora de Fábio ajuda a lembrar o sufoco que tem sido cada ponto conquistado. Logo antes do 1x0, o Operário já tinha acabado de perder a chance mais clara da partida, em uma bola parada.

Com bola rolando, quase nada aconteceu. E aí está um dos primeiros desafios de Felipão. Desenvolver caminhos que levem o time ao ataque, ainda mais sabendo que o roteiro mais frequente é o de enfrentar defesas mais fechadas.

A solidez defensiva tende a ser uma marca do treinador. Cometer menos erros para permitir menos chances. É um raciocínio lógico para pontuar, mas que pode esbarrar na necessidade de correr mais riscos para ser mais produtivo diante das limitações.

Nas próximas cinco rodadas, o Cruzeiro enfrentará quatro adversários diretos na Série B. Ainda será o início do trabalho, mas, além da importância na tabela, será também um termômetro da evolução que a equipe precisa apresentar.

A estreia teve pouco além do alívio da vitória, mas o suado 1x0 já é um progresso em termos de resultado e como tentativa de recuperação da confiança.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.