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Suárez: problema no Barcelona e solução no Atlético de Madrid?

Suárez chora em evento de despedida do Barcelona - Reprodução/YouTube
Suárez chora em evento de despedida do Barcelona Imagem: Reprodução/YouTube
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

Colunista do Uol

24/09/2020 10h01

A transferência de Luis Suárez é uma das mais impactantes da janela da Europa. Marca a saída de um dos melhores atacantes da última década, e que construiu uma bela carreira no Barcelona.

O uruguaio já não é o mesmo jogador dos tempos de Liverpool ou do trio MSN. Natural. O tempo passa, a condição física muda e as características também.

Até por isso, é compreensível que o Barça entenda Suárez como efeito colateral da reformulação do elenco. O discutível é o tratamento na condução do processo.

De fato, o time vinha tendo problemas no setor. É natural fazer concessões para acomodar Lionel Messi, mas isso aumenta o peso na escolha dos complementos.

Suárez já não tem o físico para trombar, pressionar e arrancar incansavelmente durante os 90 minutos. Com os dois, o time perde em capacidade para iniciar o trabalho sem bola e também já não oferece grande ameaça em profundidade. Isso no mais alto nível, é bom ressaltar. Pois a dupla ainda era muito acima da média.

E é aí que o Atlético de Madrid pode se beneficiar - e muito. Simeone tenta promover uma mudança de característica e de repertório. Nos últimos anos, teve dificuldades para ser um time mais produtivo com regularidade.

Suárez é exatamente o goleador que o Atleti não tem. O cara capaz de marcar gols de todas as formas e, assim, garantir mais pontos no campeonato.

O salto de qualidade em relação a Morata e Diego Costa é indiscutível. No mínimo, o time titular ganha alguém que tende a aproveitar melhor as oportunidades criadas.

A relação entre Simeone e Suárez também é das mais interessantes. Fica a curiosidade pelo impacto que a parceria pode ter no resgate da maior confiança do atacante uruguaio. Fora o tamanho do desejo de dar uma resposta ao tratamento que recebeu no Barcelona.

É verdade que Suárez, que fará 34 anos em janeiro, já não parece ser o atacante que marca no campo de defesa, recupera e percorre 40 ou 50 metros com a bola para finalizar. Estilo muito comum de contra-ataque de Simeone.

Na pior das hipóteses, o Atleti ganha um goleador que garantirá alguns pontos a mais no campeonato. Na melhor, resgata a agressividade, a confiança e o protagonismo de um dos melhores camisas 9 da última década.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.