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O que representam os cinco atacantes na estreia de Dome?

Domènec Torrent gesticula em partida do Flamengo contra o Atlético-MG - Alexandre Vidal/Flamengo
Domènec Torrent gesticula em partida do Flamengo contra o Atlético-MG Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

Colunista do Uol

10/08/2020 14h05

A estreia de Dome no Flamengo terminou com derrota para o Atlético-MG. Um dos principais debates tem sido em relação ao time que encerrou a partida.

Mas o que representam os cinco atacantes? Geralmente, no Brasil, há uma redução ao número de jogadores de uma determinada posição. É comum ouvir críticas baseadas apenas na constatação de que tal time jogou com X volantes, por exemplo.

A posição diz pouco se isolada da função específica e do contexto tático.

É perfeitamente possível questionar as substituições, as ideias coletivas e o desempenho. A questão é apenas não confundir cinco atacantes com a suposta imagem de uma área congestionada ou de uma desordenada cartada final.

No fundo, dentro dos princípios de ocupação de espaços na fase ofensiva, Dome não fez nada tão exótico ou diferente. É muito comum ver tal distribuição nas equipes de Guardiola, por exemplo.

No momento de ataque, é natural ver dois jogadores ocupando as pontas e abrindo o campo. Por dentro, outros três podem complementar o quinteto, com um na referência e outros dois alternando entre atacar a área e buscar espaços nas costas dos volantes.

O que muda a percepção é o eterno debate entre posições e funções. Esses pontas podem ser atacantes, meias ou laterais. A posição importa bem menos que as características individuais para executar as funções.

A sensação de uma gritante ausência de meias traz outro ponto: a compreensão da ideia dos laterais por dentro, se comportando como volantes que geram o volume e organizam o jogo.

Como a bola chega aos cinco atacantes? Bom, em tese, a proposta é justamente ter mais peças empurrando a defesa adversária para trás, enquanto os "defensores" organizam e progridem com a posse. Rafinha e Filipe Luís, hoje, são laterais mais compatíveis com a função de meio-campistas do que a de amplitude.

O número da formação tática é secundário. Com bola, se Dome implementar suas conhecidas ideias, não será raro ver a busca por uma distribuição semelhante ao 2-3-5. Pode não ter os tais cinco atacantes (e talvez chame menos atenção por isso), mas os espaços ocupados serão bem parecidos.

Evidentemente, é cedo para fazer qualquer avaliação sobre o trabalho de Domènec Torrent no Flamengo. Mas o primeiro debate sobre conceitos de jogo já pode ser promovido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.