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Rafael Oliveira

Por que a final de 2013 foi um jogo tão específico e positivo para o Brasil

Neymar e Sergio Busques disputam bola na final da Copa das Confederações de 2013 entre Brasil e Espanha - AMA/Corbis via Getty Images
Neymar e Sergio Busques disputam bola na final da Copa das Confederações de 2013 entre Brasil e Espanha Imagem: AMA/Corbis via Getty Images

Colunista do Uol

03/05/2020 11h45

A vitória do Brasil sobre a Espanha, em 2013, foi marcante. Pelo título no Maracanã, por desbancar a seleção dominante nos anos anteriores e pelo embalo que representava para a Copa do Mundo de 2014.

Curiosamente, alguns dos grandes destaques individuais seriam os principais alvos do ano seguinte. Fred, David Luiz, Júlio César, Paulinho... Jogadores que tiveram peso importante na conquista e que depois virariam vilões no discurso de muitos.

A velha necessidade de criar rótulos definitivos e simplificar o direcionamento da culpa.

Contra a Espanha, o Brasil teve diferentes méritos. Sim, a Copa das Confederações pode não ter tanta relevância, mas aplicar um convincente 3x0 não é qualquer coisa.

A análise do jogo passa por diferentes aspectos. O principal é o "timing" dos gols. A forma como o Brasil marcou em momentos cruciais que condicionaram tudo. Início, antes do intervalo e na volta para o segundo tempo.

"Por que o time tal não joga sempre assim?" - é uma indagação clássica no futebol. Talvez a resposta mais simples seja que cada partida tem cenários e exigências diferentes.

Naquela final, o Brasil ganhou confiança ao abrir o placar cedo e tirou proveito de um roteiro ideal. A Espanha costumava controlar a partir da posse de bola. Perdendo, sairia da zona de conforto e precisaria ter mais urgência, o que poderia forçar mais erros e permitir mais espaços ao se expor.

A força física foi outro mérito do time de Felipão, que não precisava competir pelo tempo de bola nos pés. Poderia usar a agressividade para roubar e acelerar. Fisicamente, sufocou uma Espanha distante do melhor nível. E cada contra-ataque representava risco, com Fred bem no pivô e Neymar constantemente se projetando nas costas da defesa.

Hulk era outro alvo, explorando a vantagem física nos duelos ofensivos e defensivos com Jordi Alba. Qualquer saída direta era efetiva e não havia pressão ou impaciência nos períodos mais longos de posse, pois o placar já era favorável.

O cenário perfeito e que não é tão facilmente reproduzido em outros jogos, especialmente porque não é comum ver a Seleção ter um adversário com tais características (e fragilidades naquele dia específico).

Não foi só uma ilusão. Foi, sim, uma demonstração de força. Mas que nada garantiria em relação a outros desafios que o time enfrentaria. Um ano depois, o 7x1 nasceria de um contexto oposto, em que a seleção brasileira não soube lidar com a avalanche nas transições geradas a cada perda de bola.