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Estabelecer data para volta do futebol é fora da realidade

Cristiano Ronaldo espirra álcool em gel nas mãos dos filhos - Reprodução/Instagram
Cristiano Ronaldo espirra álcool em gel nas mãos dos filhos Imagem: Reprodução/Instagram
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

Colunista do Uol

23/03/2020 09h48

Em todo o planeta, as primeiras medidas do esporte na luta contra o coronavírus foram voltadas ao adiamento das competições. Quase todas estabeleceram pequenos períodos iniciais de suspensão das atividades. Duas semanas, um mês?

Aos poucos, o que a realidade mostra é que trata-se de um problema muito maior e mais sério do que muitos imaginavam ou previam. E os campeonatos acabam forçados a esticar os períodos de inatividade.

A Premier League não queria parar e, quando parou, marcou o retorno para o início de abril. Totalmente inviável. Logicamente, já tiveram que adiar para o início de maio. Também já parece improvável.

A Uefa tentou ignorar o problema até o fim, mas viu seus jogos diretamente afetados e foi obrigada a suspender tudo. Quando adiou a Euro para 2021, optou por nem marcar novas datas para Champions ou Europa League.

Na Espanha, um dos países mais afetados pelo coronavírus, o campeonato também demorou a parar. Agora, na manhã da segunda-feira (23/mar), Federação e La Liga deixaram a rivalidade política de lado e concordaram com a suspensão por tempo indeterminado. O futebol espanhol só voltará quando as autoridades definirem que já não há risco para a saúde.

Nada é tão simples, considerando o impacto econômico para diferentes etapas da cadeia movimentada pelo esporte. Mas a decisão é tão óbvia que deve ser a tendência em outros países.

Não há cabimento em ter pressa ou querer acelerar uma possível volta. Já está claro que o futebol ficará parado por um bom tempo, e assim deve ser. No Brasil, que também demorou mais do que deveria para interromper todos os estaduais, a curiosidade é outra.

Independentemente do espaço que sobrará no calendário de 2020 - e isso não é o mais relevante no momento -, qual será o peso das federações nas decisões finais? Pois sacrificar o principal campeonato nacional em nome da conclusão dos estaduais seria mais um duro retrato da realidade política do futebol brasileiro.

Rafael Oliveira