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Posse de Bola

O jogo do ano, para Rogério Ceni e Fernando Diniz

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

22/10/2020 10h13

São Paulo e Fortaleza decidem domingo de noite, no Morumbi, uma vaga nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Não é possível dissociar o confronto da figura dos treinadores dos dois times. Por tudo o que está envolvido nele, tornou-se o jogo do ano para Fernando Diniz e Rogério Ceni. Não seria exagero também rotular como a partida mais importante até agora da carreira dos dois treinadores "emergentes".

Rogerio Ceni, o maior ídolo da história do São Paulo como jogador, volta ao Morumbi em absoluta alta. Acaba de se tornar campeão cearense, vem de uma série incrível de invencibilidade no Campeonato Brasileiro (com direito a vitórias e grandes exibições contra Atlético-MG, Inter, Palmeiras e companhia). Passou a ser considerado um dos melhores, senão o melhor, técnico brasileiro. O técnico do ano. Ainda não venceu o São Paulo como treinador, mas se preparou como nunca para tal. Revezou jogadores, negociou premiação especial para os atletas em caso de classificação, trata o domingo como "oportunidade de fazer história".

Motivos pessoais também não faltam. Rompido com a diretoria atual do São Paulo, desde que foi demitido sumariamente na sua primeira experiência como treinador, tem a chance no estádio que tanto conhece - diante dos olhos do presidente Leco - de eliminar o "time do coração" e encerrar com um punhal o mandato trágico de cinco anos do atual governo são-paulino. Ceni está mais pilhado que nunca com essa possibilidade, e não vai contar com a presença da torcida no Morumbi para, quem sabe, amolecer seus sentimentos.

Fernando Diniz, por sua vez, nem no banco estará no domingo. Foi expulso na partida de ida, em Fortaleza. A pesada sombra de Rogério Ceni sobre o seu trabalho no São Paulo nunca esteve tão pesada. Vem de duas eliminações traumáticas em 2020: Paulista e fase de grupos da Libertadores. Classificar o time na Copa do Brasil, torneio que o São Paulo nunca ganhou, significaria um respiro. Um respiro de pelo menos um mês - as quartas-de-final serão disputadas e decididas apenas no fim de novembro.

Até o momento, levou vantagem nos confrontos diretos contra Ceni. Mas esse confronto tem peso 10. Eliminar Rogério Ceni e o Fortaleza não significam garantia para a permanência no cargo em 2021. É muito provável que o novo presidente do São Paulo, a ser eleito, convide Rogério Ceni a assumir a equipe a partir de fevereiro, quando se encerra a atual temporada. Mas eliminar Ceni significaria se recolocar como técnico à altura do rival. Como um treinador promissor e capaz de obter resultados. Reabriria portas. Em outros clubes grandes também. É, pessoalmente, a sua partida mais importante desde que chegou ao Morumbi, há 13 meses.

Quem leva o gigante duelo dos treinadores no domingo? Diniz ou Ceni? Façam suas apostas (Por Arnaldo Ribeiro)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.