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Posse de Bola

Cássio e Daniel Alves pagam pela ausência de poder nos seus clubes

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

19/10/2020 11h58

Cássio, no Corinthians. Daniel Alves, no São Paulo. Dois jogadores gigantes. Ambos na berlinda. Mesmo sem público nos estádios, vêm sentindo a pressão dos torcedores e isso ficou nítido mais uma vez neste fim de semana.

Cássio desabafou após a goleada para o Flamengo aos microfones, ainda dentro de campo. Dani Alves, que costuma preferir o Instagram para colocar suas ideias, fez sua pior partida com a camisa do São Paulo diante do Grêmio e saiu transtornado de campo.

Não dá para comparar a história de cada um em Corinthians e São Paulo. Cássio ganhou tudo no Corinthians. Daniel Alves não ganhou nada no São Paulo. Não dá para comparar a história de cada um no futebol mundial. Cássio é um fenômeno nacional. Daniel Alves é um dos maiores vencedores do planeta, passando por Sevilla, Barcelona, Juventus e PSG - fora as conquistas na seleção brasileira.

Não dá para negar a qualidade dos dois.

O momento deles se parece principalmente porque Corinthians e São Paulo vivem uma crise de poder. Às vésperas de eleições, após mandatos desastrosos, com técnicos contestados. Cássio e Daniel Alves não têm com quem dividir a bronca. Cai tudo em cima deles. Precisam ser decisivos, capitães, porta-vozes, líderes... Sem ninguém para distribuir a responsabilidade.

Vagner Mancini não cogitou barrar Cássio após o grande jogo de Walter contra o Atlético-PR. Fernando Diniz só substituiu Daniel Alves em uma partida desde que chegou, há 13 meses. Quando ele fraturou o braço e não tinha a menor condição de ficar em campo.

De fato. Rifar tanto Cássio quanto Daniel Alves neste momento, como fazem alguns torcedores pelas redes sociais, seria no mínimo pouco inteligente.

É certo que os dois serão fundamentais novamente em breve. Quando Corinthians e São Paulo tiverem novos comandantes, dentro e fora de campo, para distribuir responsabilidades... (Por Arnaldo Ribeiro)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.