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Flamengo: sem Jesus, sem compaixão

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

26/09/2020 11h46

Goleada histórica para o Del Valle, técnico estrangeiro pressionado, surto absurdo de Covid, batalha nos bastidores, CBF, STJD, Palmeiras, demissões, entrevistas desastrosas... Os 10 dias que abalaram o Flamengo.

O clube mais popular do país vive seu inferno astral e expõe suas fraquezas que 2019 não permitiu.

Ano passado o Flamengo era inatacável, invulnerável, quase imbatível, apaixonante. Mas esse era o Flamengo dentro de campo. O Flamengo de Jorge Jesus, de Gabigol e de sua enorme torcida no Maracanã.

Jesus se foi, o torcedor não pode se aproximar nesse momento e o encanto acabou. O Flamengo expõe nesse momento o seu caráter humano (ou por vezes desumano) . Um "reles mortal", passível de erros, muitos erros.

Sem Jesus e sem o povo, o Flamengo deixou de ter/e merecer a compaixão.

Na semana da discussão absurda sobre o jogo contra o Palmeiras durante o surto de Covid, as manifestações de solidariedade foram praticamente sepultadas pela entrevista do presidente Landim e a demissão do "fotógrafo", que registrou os jogadores sem máscara no voo da alegria e do Covid, "desarmando" o presidente.

Hoje, o Flamengo não é mais o time do Jesus. É o time do Landim. O líder que ignora as famílias dos meninos do Ninho, que colou no governo federal, que quer a MP do mandante só pra ele, que lutou para o futebol voltar antes do tempo, que tinha o protocolo infalível para o Covid... Hoje, o Flamengo, por conta de seus cartolas, não merece compaixão. (Por Arnaldo Ribeiro)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.