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Daniel Alves tem, literalmente, todo crédito

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

22/09/2020 09h20

O batuque do Daniel Alves no Instagram virou o assunto principal no São Paulo. Mais do que a partida decisiva desta noite contra a LDU, mais do que a altitude, mais do que a possibilidade de eliminação na fase de grupos do torneio mais querido pelo são-paulino, mais do que ausências importantes e pouco notadas em Quito, mais do que a semana que marca um ano de Fernando Diniz no comando do time...

Dani Alves (e seu comportamento pouco usual e pouco compreensível nas redes; o good crazy) recupera-se de uma fratura no braço e talvez só tenha condições de jogo na semana que vem. Vem treinando com uma proteção no local da fratura e por enquanto sem contato com os companheiros por precaução. Não teria condição de atuar contra a LDU.

E vai fazer falta... Tem feito muita falta. É disparado o melhor jogador do time. O mais habilidoso, experiente, ganhador, malicioso, competitivo. No campo ele se garante. É o que mais treina. O que mais joga. Com a mesma intensidade e devoção de um garoto.

E é em campo que ele deve ser cobrado e analisado.

Daniel Alves dá força ao técnico, aos companheiros, aos mais experientes, aos mais jovens. Contagia. Lidera pelo exemplo, pelo suor.

Fora de campo, Dani Alves já fez juras de amor ao São Paulo, deu a cara a bater diversas vezes na falta absoluta de outras lideranças e vem convivendo exemplarmente e compreensivamente com a dívida monstra que o encalacrado clube tem com ele. Daniel Alves tem, literalmente, crédito.

Hoje ele é a maior figura do São Paulo, dentro e fora de campo também. O melhor jogador do futebol brasileiro tecnicamente falando. Evidentemente, o São Paulo precisa dele.

Curiosamente virou meme na internet as postagens dos são-paulinos, revoltados com o batuque do jogador, exaltando figuras como Raí (que jogou Libertadores com o braço quebrado) e Lugano (que viajou machucado para jogo de Libertadores).

Pois bem. Lugano, o superintendente de relações internacionais, nem para Quito viajou agora num momento decisivo e crucial para exercer seu cargo. Raí, ano passado, esteve em Paris, num torneio de tênis, enquanto o time perdia para o Corinthians em Itaquera e se perdia, sob o comando de Cuca, no mata-mata da Copa do Brasil, contra o Bahia.

Hoje, Raí e Lugano não são exemplos. Deixaram de ser. Fracassaram na missão de liderança extra-campo, assim como o presidente do clube - Leco se recupera da Covid e deixa o São Paulo em 100 dias após 5 anos de um mandato péssimo; em todos os sentidos.

Sem comando, o são-paulino - que já viu Arboleda postar com a camisa do Palmeiras, Bruno Alves apagar as fotos com a camisa do clube quando foi para a reserva, Daniel Alves batucar com o braço quebrado... - sonha com um nova era de comprometimento a partir de 2021.

Mas tem de saber onde mirar sua cobrança. Definitivamente não é nos jogadores por manifestações nas suas redes sociais. O problema do São Paulo da fila nunca foi jogador, ainda mais quando o jogador é Daniel Alves. O problema vem de cima - literalmente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.