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Nem Romário consegue ver a final da Copa de 94

Eduardo Tironi

Eduardo Tironi é jornalista desde 1992, tendo passado por Notícias Populares, LANCE! e ESPN Brasil. Atualmente é participante e editor do podcast Posse De Bola (com Arnaldo Ribeiro) e comentarista na Rádio Band. Tem um canal no YouTube com Arnaldo Ribeiro. Fora do esporte, faz o podcast SonzeraFC sobre música e futebol.

Colunista do UOL

25/04/2020 14h04

Romário deu uma excelente entrevista para Bruno Rodrigues e Carlos Petrocilo na "Folha de S.Paulo." (Leia aqui).

Entre muitas coisas interessantes como o fracasso da CPI do futebol e sobre a Copa de 94, se destaca um trecho interessante. Romário não tem o menor saco para rever aquela decisão contra a Itália. Tanto que nunca reviu. Este jogo será reprisado neste domingo (25 de abril) na Globo.

Perguntado sobre se ele já tinha visto o jogo, ele respondeu:

-Ainda não tive esse prazer de assistir, não. A probabilidade de ver agora é grande, né. [Mas] eu gosto de ver jogo que tem gol, quando não tem gol é foda. Do jogo com a Itália eu posso ver o comecinho, que foi legal, e depois o final na disputa por pênaltis.

Não se tira nenhum mérito da conquista do time de 94, considerando a pressão da época pelo jejum de títulos, etc. Mas fato é que ali não houve brilho, a não ser pelo ótimo Brasil 3 x 2 Holanda nas quartas-de-final.

Lembremos que o Brasil suou sangue para vencer os Estados Unidos (donos da casa, mas nada além dos Estados Unidos) e para vencer uma esforçada Suécia na semifinal.

Há uma confusão sobre a genialidade de Romário (muito bem assessorado por um brilhante Bebet0) e aquela seleção. Criticar a falta óbvia de brilho daquele time não significa diminuir a importância da dupla, com o Baixinho como protagonista.

Mas é inegável e impossível não fazer a eterna comparação entre os derrotados que brilharam em 82 e os vencedores que não empolgaram em 94. A vitória do time cujo capitão era Dunga arrastou para vários anos seguintes a máxima de que vencer seja como for é o que vale e não se discute.

Isso é injusto até mesmo com a própria seleção de Parreira, que era mecânica, mas tinha seus méritos.

O fracasso de 82 foi o pontapé inicial para a valorização apenas do futebol eficiente (como se fosse impossível beleza e eficiência ao mesmo tempo). E 94 foi o momento em que aprisionamos de vez o futebol nesta máxima. Dá para contar nos dedos quantos times realmente encantadores o Brasil produziu desde então, seja na Seleção ou mesmo em clubes.

O 7 a 1 trouxe o choque de realidade, acordamos do pesadelo do "importante é ganhar" e tentamos achar um caminho. Mas quem pode ter trazido a saída deste labirinto foi o Fla de Jorge Jesus. E Sampaoli no Santos.