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Não mexam no Brasileiro por pontos corridos

Eduardo Tironi

Eduardo Tironi é jornalista desde 1992, tendo passado por Notícias Populares, LANCE! e ESPN Brasil. Atualmente é participante e editor do podcast Posse De Bola (com Arnaldo Ribeiro) e comentarista na Rádio Band. Tem um canal no YouTube com Arnaldo Ribeiro. Fora do esporte, faz o podcast SonzeraFC sobre música e futebol.

Colunista do UOL

09/04/2020 15h50

Por conta da pandemia do coronavírus o presidente da CBF Rogério Caboclo não garantiu a realização do Campeonato Brasileiro com a atual fórmula: pontos corridos, turno e returno.

A declaração foi dada em reunião com representantes dos clubes, quarta-feira.

Caboclo disse que tentará fazer de tudo para cumprir o regulamento atual, mas acrescentou que não pode garantir que conseguirá porque não existe nenhuma ideia de quando a bola vai voltar a rolar.

Se a pandemia vai atrapalhar o mundo inteiro, imagine o Brasil, que tem um calendário futebolístico insano. A dificuldade já era esperada.

Mas qualquer estudo sobre o que fazer deve partir da seguinte premissa: o Campeonato Brasileiro por pontos corridos é sagrado. Nele, não se pode mexer.

Suspendam estaduais, invadam a temporada do ano que vem para cumprir todas as rodadas do Brasileiro, adotem o calendário europeu... Mas preservem o maior ganho que o futebol nacional teve nos últimos anos, talvez a única iniciativa que pode ser devidamente elogiada da CBF em muito tempo.

Esportivamente é chover no molhado dizer que o Brasileiro por pontos corridos premia o melhor time dentro e fora de campo. Isso está claro. Mas além disso, é esta fórmula que permite aos principais clubes do país atividade por praticamente o ano todo: 38 jogos garantidos, faça chuva ou faça sol (pandemia à parte). E é graças a esta garantia que as TVs pagam os valores que pagam e patrocinadores estampam suas marcas nas camisas. Sem falar nos planos de sócio-torcedor (que ficam fragilizados quando a bola não rola).

Qualquer mudança neste formato acarretará em perda de dinheiro da TV e de patrocinadores. A não ser que os detentores dos direitos topem pagar o mesmo por uma entrega muito menor. Fica difícil imaginar algo assim.

Os clubes, quase todos já endividados, sairão ainda mais pobres desta pandemia. Mexer na fórmula do principal campeonato nacional do país em um cenário desses é, antes de tudo, uma irresponsabilidade.