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Palmeiras vê Luxemburgo grato, focado e 'com fome'

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

05/04/2020 11h13

Na pausa do coronavírus, Vanderlei Luxemburgo não tem dado entrevistas como Fernando Diniz. E nem ocupado as manchetes como Jorge Jesus. Até agora evitou entrar em polêmicas e usou suas redes sociais apenas para falar de causas sociais relacionadas à pandemia. Estratégia. Evitando se expor. Desta forma, vem acumulando mais alguns pontos junto à cúpula palmeirense.

Depois de três meses no comando da equipe, Luxemburgo é um "sucesso". Ao menos internamente. Mais que resultados e desempenho em campo, ele avançou muitas casas no aspecto "ambiente".

Conquistou dirigentes, membros da comissão técnica, dos outros departamentos, os principais jogadores (como Felipe Melo, Gustavo Gomez, Weverton e Dudu) e os funcionários do clube. Pelo menos até agora...

O discurso emocionado na apresentação e na assinatura do contrato, quando citou suas netas e a relação umbilical com o clube, demonstrou a gratidão que a diretoria do Palmeiras esperava. Afinal, estava recebendo anos depois (contrariando boa parte da opinião pública) a chance de dirigir um time potente, capaz de disputar todos os títulos.

Ouviu claramente do presidente Mauricio Galiotte que teria de trabalhar com o elenco atual, promover jovens e não esperar mais que duas ou três contratações. Sem chiar. E não chiou, mesmo contrariando suspeitas. Até o momento não reclamou uma vez sequer de falta de contratações ou reforços X ou Y.

Mas e o trabalho em campo? Seria capaz de reviver algo do "velho e bom Luxa"? Essa era a principal indagação.

E é nesse terreno que Luxemburgo tem surpreendido. Diferentemente dos tempos de estrelato, tem trabalhado mais. Mais tempo e mais intenso. Participado efetivamente dos treinos em campo, cumprindo horários, estudando adversários, demonstrando um foco que parecia distante.

Consultando outros departamentos do clube. Tratando os jogadores não na base do conflito, mas na parceria. Descendo um pouco do pedestal, da postura arrogante que insistiu em manter mesmo quando ficou vários meses sem emprego.

Se esse Luxemburgo grato, focado e com fome vai conseguir triunfar, é uma outra história. Mas, desafiado pelo sucesso de Jorge Jesus e dos outros estrangeiros e com novatos como Fernando Diniz e Tiago Nunes no retrovisor, ele resolveu agir. Agir de outra forma. Ainda dá para apostar no Luxa?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.