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Incerteza com a chuva e Russell sob pressão: o que esperar do GP do Canadá

A combinação entre um asfalto novo, pouco tempo significativo de treinos livres por conta das condições climáticas e temperaturas mais baixas durante a classificação gerou algumas surpresas na classificação para o GP do Canadá. George Russell vai largar somente pela segunda vez na carreira na pole position e está confiante de que o ótimo resultado do sábado é real e mostra a melhora da Mercedes desde a introdução de uma nova asa dianteira (acompanhada de mudanças na suspensão dianteira para este GP).

Nas poucas simulações de corridas feitas, a Red Bull apareceu com um ritmo melhor do que a Mercedes e Max Verstappen largará em segundo. Na segunda fila, estão Lando Norris e Oscar Piastri, da McLaren, que também demonstraram um ritmo forte.

Porém, é difícil entender o cenário do ritmo de corrida de cada um porque duas sessões de treinos livres foram atrapalhadas ou pela chuva, ou por uma garoa persistente. E a previsão é de 80% de chance de chuva para a segunda metade da corrida.

Essa expectativa incentiva os pilotos a ficarem na pista o máximo possível na parte inicial da prova para evitar fazer mais paradas no box. Por outro lado, a perda real de tempo no pitstop no Canadá é uma das menores da temporada, então não costuma valer a pena ficar na pista com pneus muito desgastados, até porque não é tão difícil ultrapassar em Montreal quanto em outras pistas.

Essa relativa facilidade de ultrapassar também faz com que seja mais arriscado tentar largar com o pneu duro, que demora mais para aquecer. Com o duro, seria mais possível ficar na pista esperando pela chuva, mas há o risco de perder posições no começo da prova. O problema não é nem tanto a largada em si, já que não há muitos metros até a primeira freada. Na reta no final da volta, contudo, a história é diferente.

Novo asfalto está desgastando mais os pneus

O composto macio não aparece nas simulações da Pirelli inicialmente, mas pode ser uma opção principalmente no final, quando a pista fica mais emborrachada. Seria mais uma opção no caso de Safety Car ou para quem precisa fazer algo diferente na estratégia por estar largando fora de posição, como é o caso de Perez, que larga em 16º, ou as Ferrari, que saem da 11ª posição com Leclerc e 12ª posição com Sainz, por exemplo.

A história é parecida com o médio: no papel, quem guardou dois jogos de duros para a corrida (Mercedes, McLaren, Verstappen e Albon no top 10), teria vantagem. Porém, é possível que o médio não seja uma opção ruim para o final da prova, também porque a pista estará mais emborrachada.

No passado, o composto médio foi o preferido em estratégias de duas paradas (com uma combinação de médio-duro-médio). Mas, com o novo asfalto, o composto médio não se mostrou tão consistente, daí a vantagem teórica de quem guardou dois jogos de duros para a corrida.

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Mas é claro que tudo isso pode ir literalmente por água abaixo se a previsão de chuva se confirmar. Embora a chance seja maior para a segunda parte da corrida, ela é de 60% para a primeira hora da prova, que tem largada às 15h pelo horário de Brasília.

Ferrari aposta no superaquecimento dos rivais

Carlos Sainz foi o segundo colocado na primeira sessão de treinos livres para o GP do Canadá
Carlos Sainz foi o segundo colocado na primeira sessão de treinos livres para o GP do Canadá Imagem: Reprodução/F1

Não precisa estar quente em Montreal para os freios sofrerem. Só de ficar preso atrás de algum rival, o piloto já começa a sofrer com o aumento da temperatura deles e costuma ter que se afastar um pouco e voltar a atacar de maneira decidida. É uma pista que premia pilotos que vão para cima de forma mais decidida.

A temperatura dos pneus também será um tema importante. A janela de funcionamento dos pneus é bastante pequena e, como Verstappen percebeu no final do GP de Imola, principalmente com o composto mais duro, se o pneu começar a trabalhar abaixo da sua janela ideal, fica muito difícil recuperar essa temperatura e o rendimento cai.

Com a expectativa de temperatura ambiente em cerca de 20ºC e, mais importante, temperatura da pista de pouco mais de 30ºC, já que espera-se tempo fechado, cabe ao piloto entender o quanto deve forçar para evitar que o pneu esfrie demais.

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Mas isso também tem a ver com o acerto do carro, e a Ferrari aposta que rivais podem sofrer com superaquecimento dos pneus, especialmente andando no trânsito. Isso porque eles acreditam que fizeram uma classificação ruim por uma combinação entre as características do carro e também do acerto. Eles tendem a colocar menos energia nos pneus, o que gera dificuldade de aquecimento em uma volta lançada, mas pode ser positivo para evitar o desgaste de pneus na corrida.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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