Pole Position

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Russell acredita que pole no Canadá é o começo da virada para a Mercedes

"Eu sabia que Mônaco tinha sido o começo de algo bom para a gente", disse George Russell após fazer a pole position em uma classificação muito competitiva no Canadá. O inglês, na verdade, marcou exatamente o mesmo tempo que Max Verstappen mas, como obteve a marca antes, ficou com a pole position.

Mas ele sentiu que tinha mais para tirar do carro da Mercedes, que dominou a classificação a ponto do próprio Verstappen achar que seria impossível chegar no ritmo de Russell e Hamilton, que acabou não fazendo um Q3 tão forte e vai largar em sétimo mesmo tendo sido apenas 280 milésimos mais lento que o companheiro.

"Olhando para o ritmo da Mercedes no Q2, eu pensava 'de jeito nenhum eu consigo um tempo desses', então estou feliz com o segundo lugar. Conseguimos um equilíbrio bom na classificação, eu estava contente, mas tivemos um fim de semana muito atrapalhado, ainda temos os mesmos problemas de Mônaco. Sabemos que ainda temos nossas limitações", reconheceu o holandês.

Mas seria mesmo um renascimento da Mercedes? Mesmo com todas as dificuldades nos últimos anos, a Mercedes fez poles positions na Hungria, uma pista bastante específica. E o palco do GP do Canadá também é uma pista que costuma ter resultados diferentes. O carro precisa ter uma boa tração, bom equilíbrio na freada, precisa atacar as zebras, e uma boa velocidade de reta não atrapalha. Mas não é uma pista com curvas desafiadoras de média e alta velocidade, que testam mais o nível de pressão aerodinâmica e a eficiência do carro.

Ou seja, não é o melhor lugar para dizer se a melhora da Mercedes é real, principalmente em um fim de semana como este, com treinos livres atrapalhados pela chuva e um asfalto novo. O chefe da Red Bull, Christian Horner, inclusive afirmou que, sempre que a F1 vai para um circuito com o asfalto mais "verde", a Mercedes vai bem.

Russell explica o "ziguezague" da Mercedes

Russell, contudo, está convencido de que a melhora é real e não depende da pista. Ele explicou que, neste ano, o carro sofreu muito com saídas de frente e, no ano passado, era o inverso. Agora, o carro está mais equilibrado.

"Precisamos ver nas próximas corridas se isso continua. Mas em Mônaco estávamos a um décimo da primeira fila e aqui estamos na pole. Não quero me deixar levar, mas as coisas mudaram desde a última atualização. Parece mais real, com certeza. Quando você tem as mesmas regras por vários anos, vai ziguezagueando até chegar no caminho certo e, nas últimas provas, nosso ziguezague já estava ficando em uma janela mais curta."

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A atualização à qual Russell se refere é a asa dianteira, retomando um conceito antigo usado pela equipe. Em Mônaco, somente ele usou essa asa. Em Montreal, ela estava em ambos os carros e veio acompanhada de mudanças na suspensão para potencializar seu efeito aerodinâmico.

Tanto, que Russell já começa a pensar na possibilidade de vencer pela segunda vez na carreira. "O carro está genuinamente muito rápido. Mas vai ser uma longa corrida. Os pneus estão granulando, o asfalto é novo, e ninguém sabe exatamente como vai ser. Se o pneu sair da janela, você vai perder muito rendimento. Será uma batalha estratégica."

Verstappen viveu aperto incomum na classificação

O líder do mundial não teve uma classificação tranquila. Sua primeira tentativa no Q1 não foi boa e, assim que Logan Sargeant, da Williams, conseguiu uma volta mais rápida que a dele, ficou claro que o holandês teria que voltar para a pista, algo raro nesta parte da classificação.

Isso em si não seria um problema mas, como ele foi chamado para a pesagem, perdeu tempo, e só conseguiu voltar com menos de dois minutos para o final. Ele vinha reclamando do carro por todo o final de semana, estava usando um motor já com certa quilometragem, após ter problemas nos treinos livres.

Mesmo com toda a pressão, fez o melhor tempo no Q1. Ao mesmo tempo, seu companheiro Sergio Perez, que acabou de ter o contrato renovado, foi eliminado na primeira parte da classificação pela segunda vez seguida. Outra surpresa foi ver Nico Hulkenberg fora, no mesmo circuito em que fez o segundo melhor tempo na classificação do ano passado. Bottas, Ocon e Zhou também foram eliminados logo de cara.

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As Ferrari ficam pelo caminho

Foi uma classificação desafiadora para todos. Com os pilotos fazendo mais do que uma volta rápida, ficou até mais difícil para as equipes encontrarem um espaço na pista para evitar o trânsito, com um misto entre pilotos andando em ritmos diferentes.

Pior ainda para equipes como a Ferrari, que tinham também outras preocupações. Depois de uma sexta-feira promissora, com os pilotos dizendo que o carro respondia bem em todos os tipos de condições, a situação mudou totalmente no sábado. Desde o terceiro treino livre, ambos os pilotos reclamaram muito de falta de aderência, falta de confiança na freada, e de uma abordagem errada para as duas primeiras curvas.

E foi assim que caíram dois favoritos para a pole na segunda parte da classificação, com Leclerc em 11º e Sainz em 12º, divididos por alguns centésimos. Sargeant, Magnussen e Gasly também foram eliminados na segunda parte da classificação.

Na parte final, apostando na chuva, a McLaren fechou sua classificação mais de dois minutos antes do final da sessão, abdicando da possibilidade de estar na pista no melhor momento, o mais tarde possível, quando o asfalto estaria mais emborrachado se não chovesse. Mesmo assim, eles fecharam a segunda fila, com Norris à frente de Piastri, e estão na briga pela vitória junto de Russell e Verstappen na corrida que tem largada às 15h (pelo horário de Brasília).

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