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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que o GP da Espanha pode mudar a cara do campeonato da Fórmula 1

Ferrari tem novidades no carro para este final de semana - Ferrari/Divulgação
Ferrari tem novidades no carro para este final de semana Imagem: Ferrari/Divulgação
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

20/05/2022 04h00

Há muita expectativa para a sexta etapa do campeonato da Fórmula 1, neste final de semana, na Espanha. Não que as corridas no Circuito da Catalunha costumem ser das melhores em termos de emoção, mas sim porque a maioria das equipes está trazendo novidades para os carros, que podem mudar a relação de forças entre elas - tanto no meio do pelotão, quanto entre os líderes.

A McLaren espera dar um salto de até meio segundo com as novas peças que vão estrear em Barcelona. Aston Martin, Alfa Romeo e Mercedes também têm pacotes significativos. E a Ferrari terá sua primeira atualização desde o lançamento do carro em fevereiro.

O GP da Espanha tem sido escolhido pelas equipes nos últimos anos como o fim de semana perfeito para atualizar o carro por dois motivos principais: como é uma das pistas que recebem os testes de pré-temporada, é possível fazer comparações diretas, chamadas de "back-to-backs", com os dados obtidos em fevereiro. E também por ser, tradicionalmente, a primeira prova disputada na Europa, ou seja, próxima das fábricas das equipes.

Nesta temporada, a F1 já correu em Imola, e algumas equipes, como a Red Bull e Alpine, por exemplo, aproveitaram para estrear novidades na Itália. Porém, como se tratava de um fim de semana de sprint, a maioria dos times entendeu que era arriscado.

Neste ano, há ainda mais motivos para apostar na atualização dos carros em Barcelona. Por um lado, os carros ainda estão "verdes", já que as regras aerodinâmicas sofreram grandes mudanças neste ano. Mas ao mesmo tempo, as equipes não podem desperdiçar recursos, já que têm de ficar dentro do teto de 140 milhões de dólares. Então, quanto menos risco eles puderem correr com novas peças, certificando-se que elas possam ser testadas em uma pista sobre a qual eles têm mais informações, melhor.

Além disso, depois de quatro provas com intervalos de duas semanas entre cada uma delas, agora o campeonato da F1 entra em uma sequência de 8 GPs em 11 semanas. E as três próximas (Mônaco, Baku e Canadá), acontecem em circuitos bem específicos, nos quais é difícil validar novidades.

Dá para entender, portanto, por que o GP da Espanha pode mudar a cara do campeonato da Fórmula 1. Na disputa pela ponta, a Red Bull de Max Verstappen e a Ferrari de Charles Leclerc estão adotando táticas diferentes: a primeira atualizou o carro quatro vezes e trouxe peças novas à Espanha, buscando diminuir ainda mais seu peso. E a segunda aposta em uma atualização mais significativa justamente neste fim de semana. Uma melhora viria em boa hora para os líderes dos campeonatos de construtores e pilotos, já que eles mesmo reconheceram que os rivais estavam "cerca de dois décimos" mais rápidos na última corrida, em Miami.

O principal problema que a Ferrari precisa resolver é a falta de velocidade de reta, mas eles também têm de tomar cuidado para não piorar seu problema de porpoising, aquele movimento de sobe e desce que faz os assoalhos baterem no chão.

Até o momento, a Ferrari não tem precisado mudar seu acerto para evitar essas batidas, ao contrário do que está acontecendo com a Mercedes, que tem um novo assoalho em Barcelona. Para os octacampeões, o GP da Espanha será muito importante para identificar se será preciso mudar o conceito do carro para resolver o problema.

Outra equipe que está jogando suas fichas na atualização que estreia nos treinos livres desta sexta-feira é a Aston Martin, que tem praticamente uma versão B de seu carro, atualmente o mais pesado do grid e que também sofre muito com porpoising.

A Alfa Romeo, um dos times que mais evoluíram em relação ao ano passado, está animada com os dados vistos nas simulações das novas peças, principalmente uma nova asa dianteira e assoalho, a exemplo da McLaren. A Alpine, por sua vez, está adotando tática semelhante à da Red Bull, introduzindo novas peças aos poucos. O chefe Otmar Szafnauer confirmou que haverá novidades na Espanha, no Azerbaijão e em Silverstone. Ou seja, nas próximas cinco provas, a Alpine terá novas peças em três delas.

Na outra ponta, a Haas decidiu atualizar o carro apenas no meio da temporada europeia, provavelmente em Silverstone. A AlphaTauri optou por estrear novidades em Imola, e a Williams também vai esperar mais corridas. São três equipes cujos gastos já ficam abaixo do teto de gastos, então eles precisam ter mais cautela.