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F1: Russell impressiona e é piloto mais consistente do início da temporada

George Russell está fazendo sua primeira temporada pela Mercedes - Clive Rose - Formula 1
George Russell está fazendo sua primeira temporada pela Mercedes Imagem: Clive Rose - Formula 1
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

11/05/2022 06h03

A Mercedes está tendo um início difícil na temporada 2022 da Fórmula 1, sofrendo para fazer seu carro funcionar com o regulamento que estreou neste ano. Mas está contando com a consistência justamente do piloto que se juntou à equipe octacampeã neste ano, George Russell. Sempre houve uma grande expectativa em cima do inglês de 24 anos, campeão por todas as categorias por que passou, mas o fato de ele ser o único piloto que terminou todas as corridas no top 5 até agora não deixa de surpreender. É claro que os pilotos da Red Bull só não terminaram todas as provas porque tiveram problemas técnicos, mas é difícil argumentar que Russell não está tirando perto do máximo do que o W13 pode dar.

De quebra, ele está na frente de seu companheiro, Lewis Hamilton, no campeonato: Russell tem 59 pontos e é o quarto, enquanto o heptacampeão tem 36 e ocupa a sexta colocação. Mesmo que Hamilton tenha tido azar com a estratégia na Austrália e com a posição de largada em Imola, isso não tira o mérito do que Russell vem fazendo até aqui, que inclusive se assemelha com o início da carreira do próprio Hamilton ao lado do bicampeão Fernando Alonso, quando os dois dividiram a McLaren em 2007. A diferença é que a relação entre eles está longe da tensão que Hamilton e Alonso viveram.

russell hamilton - Divulgação/Mercedes - Divulgação/Mercedes
Lewis Hamilton e George Russell formam a dupla da Mercedes para 2022
Imagem: Divulgação/Mercedes

"Ele se integrou muito bem. É como se ele já estivesse na equipe há tempos", disse o chefe Toto Wolff. "A maneira profissional e analítica como ele ajuda a entender as situações é um dos destaques até aqui. Assim como a maneira como os dois trabalham juntos, sem problemas e de forma muito, muito produtiva e positiva para a equipe."

Russell é estrela desde a base

Wolff já sabia que Russell andaria bem na Mercedes. Afinal, a equipe vem trabalhando no seu desenvolvimento desde o final de 2016, quando o inglês entrou no programa de jovens da marca alemã. Com o apoio deles, venceu a GP3 (hoje F3) no ano seguinte, o seu primeiro na categoria, e fez o mesmo na Fórmula 2 em 2018.

É raro que pilotos que venceram campeonatos na base dessa forma, logo na primeira tentativa, decepcionem quando chegam na F1. Mas o caminho de Russell seria mais tortuoso porque demorou três anos para que abrisse uma vaga na Mercedes. Neste período, ele estava na Williams, um dos piores carros do grid.

Mesmo assim, Russell mostrou serviço, colocando a Williams na segunda fase da classificação em algumas oportunidades quando o time tinha o pior carro do grid em 2019 e 2020 e, quando a equipe evoluiu, passou a andar em posições de pontos em algumas oportunidades. Ficou até marcado como piloto azarado e foi questionado após algumas chances perdidas, mas vem deixando isso para trás neste início de carreira na Mercedes.

Ritmo forte e consistência têm sido suas marcas em 2022

O último final de semana foi um bom exemplo disso: Russell sofreu com o comportamento ruim do carro na classificação, ficou a 376 milésimos do tempo do Hamilton, o que significou seis posições no grid (Lewis largou em sexto e George, em 12º). Essa posição ruim no grid fez com que a equipe escolhesse a tática de largar com os pneus duros (já que, se ele perdesse posições na largada, recuperaria com certa facilidade porque estava cercado de carros mais lentos), que ele executou muito bem.

Esse tipo de tática vem da aposta que o carro tem ritmo melhor que os demais se tiver pista livre. Então, quando os rivais param, cabe ao piloto adotar esse ritmo forte e, assim, garantir que, quando ele mesmo fizer sua troca de pneus, vai voltar à frente.

russell hamilton - Mercedes - Mercedes
Lewis Hamilton e George Russell disputam posição no GP de Miami, quinta etapa do Mundial de F1
Imagem: Mercedes

Em Miami, Russell caiu para 15º na primeira volta, largando do lado menos emborrachado. Só ultrapassou Daniel Ricciardo na pista, mas seu ritmo foi tão forte e consistente que, com 20 voltas para o final, era quinto e ainda vinha fazendo bons tempos. Foi quando a equipe perguntou se ele queria trocar os pneus e ele escolheu seguir na pista, acreditando na possibilidade de um Safety Car, que o faria economizar cerca de 10s na parada.

Dito e feito. Quando o Safety Car Virtual foi acionado pela batida de Lando Norris e Pierre Gasly, Russell parou. Em condições normais, ele teria voltado em sétimo, longe do sexto colocado, e talvez ficasse por ali. Com o Safety Car juntando o pelotão, ele estava com pneus mais novos que Hamilton e Valtteri Bottas, que vinham à sua frente. O finlandês errou e Russell passou o companheiro, chegando em quinto.

Acabou sendo uma história parecida com Imola, quando ele também conseguiu sair do meio do pelotão para chegar em quarto não fazendo ultrapassagens, mas sim adotando um ritmo forte. E consistente, o que vem sendo a marca deste seu início de carreira na Mercedes.