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Prost defende que Alonso é o melhor do grid após recorde com volta ao pódio

Fernando Alonso subiu a um pódio da Fórmula 1 depois de sete anos; espanhol ficou em 3° no GP do Qatar - Thaier Al-Sudani/Reuters
Fernando Alonso subiu a um pódio da Fórmula 1 depois de sete anos; espanhol ficou em 3° no GP do Qatar Imagem: Thaier Al-Sudani/Reuters
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

23/11/2021 04h00

Fernando Alonso bateu um recorde ao conquistar o terceiro lugar no GP do Qatar, no último final de semana, tornando-se o piloto com o maior intervalo entre dois pódios na carreira: foram 105 corridas de espera desde o último troféu conquistado pelo espanhol na F1, no GP da Hungria de 2014, quando ele ainda corria pela Ferrari.

De lá para cá, Alonso foi para a McLaren em 2015, em parceria que acabou não dando certo, com o time caindo muito de produção com a então estreante Honda. E, ao final de 2018, ele decidiu mudar de ares, indo disputar outras categorias e se tornando campeão mundial de endurance.

De volta à Fórmula 1 neste ano, pela Alpine, mesma equipe pela qual venceu seus dois campeonatos em 2005 e 2006 (quando o time se chamava Renault), Alonso não teve uma readaptação fácil, mas foi melhorando ao longo da temporada e já tinha chegado perto do pódio no GP da Rússia. No último final de semana, no Qatar, o carro da Alpine se adaptou bem a uma pista que forçava mais os pneus dianteiros do que os traseiros, o que não é comum, e ele já tinha tido sua melhor classificação em mais de sete anos, com o quinto lugar. Antes mesmo da largada, ganhou suas posições com as punições de Valtteri Bottas e Max Verstappen, largou em terceiro, se livrou rapidamente de Pierre Gasly, e conseguiu controlar seu ritmo andando praticamente sozinho e fazendo a estratégia de uma parada funcionar para manter carros mais rápidos atrás, além de ter contado com a sorte quando Bottas teve um furo no pneu.

Após a prova, Alonso foi muito elogiado por Alain Prost, que é consultor e trabalha com o espanhol na Alpine. "A visão de prova que ele tem é inacreditável, a sensibilidade dele com os pneus, o retorno que ele dá do carro e a maneira como ele alimenta os engenheiros. Para mim, ele é o melhor piloto do grid", disse o tetracampeão à publicação alemã Auto Motor und Sport.

A habilidade do bicampeão nunca foi questionada, mas o mesmo não pode ser dito sobre a maneira como ele se portou dentro das equipes, dividindo-as a fim de tentar ter sempre o melhor para si. Porém, Prost disse que o Alonso versão 2021 não é mais assim. "Fernando sempre me disse que ele tinha se tornado uma pessoa diferente, e tenho que dizer que ele estava certo. Ele está servindo o time, e isso é muito bom para a equipe".

A mentalidade vencedora, ele nunca perdeu. Logo após conquistar o pódio, Alonso já falava na preparação para a próxima temporada, em que a Fórmula 1 estreia um novo regulamento, o que significa que as equipes começarão do zero.

"É difícil prever o que vai acontecer nos próximos anos. Mas eu adoraria estar na briga com Hamilton e Verstappen e quem mais fizer um carro bom ano que vem. Não será como neste ano, que foi uma continuação do ano passado. Será um reset para todo mundo então cabe a nós fazer um carro bom. Sinto-me forte, sinto que estou forte para assumir a batalha e veremos."

Por enquanto, com o terceiro lugar de Alonso e o quinto de seu companheiro, Esteban Ocon, no Qatar, a Alpine tem boas chances de conseguir o quinto lugar entre os construtores neste ano. E, na temporada que vem, a equipe já sabe que terá uma unidade de potência totalmente nova, no que será a primeira atualização do motor Renault desde 2019.