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Decepcionando na Red Bull, Perez dá sinais de melhora em boa hora para Max

Sergio Perez cumprimenta Max Vestappen depois do GP dos Estados Unidos - Chris Graythen/Getty Images
Sergio Perez cumprimenta Max Vestappen depois do GP dos Estados Unidos Imagem: Chris Graythen/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

27/10/2021 04h00

Sergio Perez se classificou atrás de Lewis Hamilton, rival de seu companheiro Max Verstappen na disputa pelo campeonato da F1, e não chegou a ameaçar a posição do inglês na pista durante o GP dos Estados Unidos, mas teve um papel importante na vitória do holandês. O mexicano estava próximo o bastante de Hamilton para que a Mercedes não pudesse fazer a melhor estratégia para ele na primeira parte da corrida, e isso facilitou o trabalho de sua equipe no restante da prova.

Trata-se de uma ajuda valiosa e que vem em boa hora para a Red Bull, que tem diminuído a desvantagem em relação à Mercedes no mundial de construtores, e viu Verstappen virar o jogo em cima de Hamilton nas duas últimas provas, com o holandês retomando a liderança da tabela e abrindo 12 pontos.

Mas o que explica esse ressurgimento de Perez, que vem de dois pódios seguidos? O mexicano vinha em uma crescente enquanto a Red Bull também vinha sempre melhorando o carro, o que aconteceu até o GP da Hungria, o primeiro grande apagão da equipe na temporada. A partir dali, o time teve alguns altos e baixos, não conseguindo encontrar o melhor equilíbrio em algumas pistas, uma vez que a janela em que o carro funciona bem não é das mais amplas. Com o carro saindo muito de frente, especialmente em classificação, Perez sofreu muito mais que Verstappen.

"Temos um carro muito único, então, não tem sido fácil", explicou o piloto, que faz sua primeira temporada na equipe. "Eu tive dificuldade em me adaptar. Não foi nada dramático que dê para destacar. Obviamente, é um pacote muito competitivo e Max está mostrando isso. Ele é um dos melhores pilotos do grid."

Sempre pelo menos três décimos mais lento que Verstappen, que está na Red Bull desde 2016, Perez sofria quando trocava de compostos no meio da classificação e não conseguia manter a mesma consistência ao longo da sessão do sábado, se classificando mal. E isso comprometia seus domingos, ainda que a performance fosse geralmente melhor. Além disso, estratégias focadas em Verstappen, que disputa o título, acabam influindo negativamente nos resultados do mexicano.

Mas à medida que a Red Bull voltou a encontrar o melhor acerto, em Austin, e o carro ficou mais neutro, Perez andou bem, podendo ajudar Verstappen no domingo. Agora, o mexicano vem de dois pódios seguidos, depois de uma prova na Turquia em que usou sua conhecida habilidade com os pneus e conseguiu roubar pontos de Hamilton.

"A adaptação demorou mais tempo do que esperávamos, mas continuamos trabalhando duro e agora podemos ver progresso. Só posso esperar que melhore ainda mais", comemorou o piloto, cujo crescimento chega em boa hora, já que a próxima etapa será no México, corrida em que a Red Bull, inclusive, é favorita pelo histórico dos últimos anos. "Acho que teremos um bom pacote, então estou muito empolgado para esta corrida e espero que possamos chegar ao pódio novamente."

Uma vitória em casa, no entanto, só é uma aposta realista caso Verstappen esteja fora da batalha, já que Perez sabe de sua importância em uma briga tão apertada pelo título de pilotos. Ainda mais porque Hamilton tem a seu lado um Valtteri Bottas que está de saída da Mercedes.

A Red Bull sabe que a questão da motivação é importante, e por isso optou por não fazer uma parada adicional nos boxes com Perez na última corrida para que ele roubasse a melhor volta (e, com isso, um ponto) de Hamilton, pois isso significaria que ele terminaria em quarto, e não no pódio. "Pela maneira como ele geriu a corrida, dá para perceber que a confiança dele está crescendo", observou o chefe Christian Horner. "É a segunda corrida seguida que ele está no pódio. E a corrida caseira dele está chegando. Ele está em boa forma em um momento crucial do ano".

Faltam cinco corridas para o final da temporada 2021 da Fórmula 1, e 12 pontos separam o líder Verstappen e Hamilton.