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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com Netflix, F1 bate recorde nos EUA e já projeta ter terceiro GP no país

Pódio do GP dos Estados Unidos de 2021, GP de maior público da história da F1 - Jared C. Tilton/Getty Images
Pódio do GP dos Estados Unidos de 2021, GP de maior público da história da F1 Imagem: Jared C. Tilton/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

26/10/2021 12h00

Foi-se o tempo em que Michael Schumacher escolhia os Estados Unidos para passar férias com a família porque, mesmo colecionando títulos na Fórmula 1, raramente era reconhecido do outro lado do Atlântico e dizia que era comum ter de soletrar seu nome nas recepções de hotel. Mesmo tentando conquistar o mercado norte-americano há décadas, o esporte nunca vingou por lá. Ou pelo menos não tinha vingado: o GP dos Estados Unidos deste ano se tornou o evento que reuniu o maior público nos 71 anos de história da categoria, e os pilotos até se surpreenderam em como tudo aparenta ter se transformado em um espaço de dois anos.

Isso porque a F1 não correu nos Estados Unidos no ano passado por conta da pandemia. Na volta, viu cerca de 400 mil pessoas irem ao Circuito das Américas em três dias de evento, sendo 140 mil apenas no domingo. Indo na contramão do que aconteceu nos primeiros anos da corrida de Austin, que entrou no calendário em 2012 no primeiro circuito feito especificamente para a categoria no país, ao invés de ter de diminuir o número de arquibancadas, como aconteceu em alguns dos anos iniciais, desta vez os organizadores tiveram de acrescentar lugares no último setor.

Parece existir uma sede do público por grandes eventos após mais de um ano com poucas opções do tipo devido à pandemia, e uma confiança maior das pessoas em estarem neste tipo de ambiente com o avanço da vacinação. Mas o crescimento específico nos Estados Unidos não é coincidência para a F1, que deu alguns passos importantes nos últimos anos, como o aumento da produção de conteúdo on demand e de mídias sociais, que era nulo antes de 2017, quando o esporte foi comprado pela empresa norte-americana Liberty Media, e a presença da categoria na ESPN por lá.

O que foi visto no último final de semana sem dúvidas foi o resultado de outro contrato fechado pela Liberty, com a Netflix, para a produção da série Drive to Survive, que já teve três temporadas e mostra os bastidores da categoria. A série já tinha estreado antes do GP de 2019, mas só agora foi possível ver o novo patamar alcançado pelo esporte nos Estados Unidos muito em decorrência da produção.

"A Fórmula 1 deu uma grande demonstração neste final de semana nos Estados Unidos. Foi um grande público", disse o chefe da Red Bull, Christian Horner. "É fantástico ver os torcedores americanos se envolvendo com a F1. Podemos agradecer à Netflix, mas sem um ótimo conteúdo, não seria um grande programa. Acho que a corrida deste domingo foi ótima e acho que os torcedores estão se envolvendo com o que a F1 pode dar."

billy joel - Divulgação/COTA - Divulgação/COTA
GP dos EUA teve show de Billy Joel no sábado
Imagem: Divulgação/COTA

Categoria aproveita bom momento para expandir nos EUA

E a categoria já tem seus próximos 'hits' encaminhados na América, com a quarta temporada de Drive to Survive sendo filmada, durante o campeonato mais emocionante dos últimos anos, e a estreia do GP de Miami, em maio do ano que vem. Isso significa que, pela primeira vez desde 1984, a categoria terá dois GPs no país.

Durante as longas negociações para a chegada de Miami, os próprios promotores em Austin questionaram se seu evento seria sustentável com uma competição tão próxima, até porque o GP do México também não é distante do Circuito das Américas - prova disso foi ver no domingo o mexicano Sergio Perez sendo, de longe, o piloto mais aplaudido de um pódio que teve Max Verstappen em primeiro e Lewis Hamilton em segundo.

Mas, após este fim de semana, a renovação do contrato do Circuito das Américas, que acaba em 2021, é dada como certa tanto pelo promotor local, quanto pela F1. "Não acho que competimos pelo mesmo consumidor", explicou o chefe de COTA, Bobby Epstein. "São eventos diferentes e acho que isso vai ficar claro ao longo do tempo, quando eles desenvolverem sua identidade."

E a F1 não quer parar por aí, e já busca, inclusive, uma terceira casa nos Estados Unidos. No momento, Las Vegas está na pole position.

Aos pilotos, resta procurar outro lugar para tirar férias porque os tempos de tranquilidade que Schumacher viveu acabaram. "Foi uma loucura. Mesmo no hotel, os fãs estavam lá todas as manhãs, parece que eles não dormem!", brincou Lando Norris. "É muito mais gente do que em 2019, acho que o Drive To Survive fez muita diferença. É legal que os fãs sejam tão envolvidos na América."