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Equipe de Piquet usou tática 'copiada' pela Red Bull até hoje em GP do bi

Nelson Piquet (Brabham/BMW) durante a temporada de 1983, em que foi bicampeão - GP Library/Universal Images Group via Getty
Nelson Piquet (Brabham/BMW) durante a temporada de 1983, em que foi bicampeão Imagem: GP Library/Universal Images Group via Getty

Colunista do UOL

15/10/2021 04h00

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Há várias histórias sobre como a Brabham, uma equipe que não tinha o poderio financeiro de montadoras como Ferrari e Renault, conseguiu ajudar Nelson Piquet a conquistar seus dois primeiros títulos mundiais. O segundo deles, em 1983, que faz 38 anos nesta sexta-feira, foi até mais difícil que o primeiro, dois anos antes: com três provas para o final, o piloto brasileiro não parecia ter um carro capaz de lutar pelo título, e estava 14 pontos atrás em uma época na qual o vencedor ganhava apenas nove, ou seja, era o equivalente a cerca de 35 pontos nas regras de hoje.

Até que as coisas começaram a virar: com uma atualização do motor BMW, ele ganhou na Itália e no GP da Europa, disputado em Brands Hatch, na Inglaterra, e chegou à decisão na África do Sul dois pontos atrás do líder Alain Prost, da Renault. O ferrarista René Arnoux era o terceiro oito pontos atrás do líder e ainda com chances de título.

A Brabham apostava em todas as táticas que pudessem lhe dar vantagem naquela final de campeonato. Em uma época na qual o reabastecimento não era obrigatório, a estratégia de Piquet era largar mais leve, abrir uma grande diferença, sempre cuidando do equipamento, para fazer a parada e tentar voltar na frente de pilotos que optavam por fazer a prova inteira sem parar, o que era o mais comum na época.

Essa era a tática na pista. Fora delas, eles já costumavam ouvir rock'n'roll na preparação para as corridas. Mas, naquele final de semana em Kyalami, decidiram aumentar o volume para desestabilizar os membros da Renault, que já estavam sob pressão por estarem liderando o campeonato e porque a equipe jamais fora campeã.

A equipe conhecida hoje em dia pela música alta é a Red Bull, e eles não escondem que existe esse elemento de motivação e também de irritar os vizinhos. O som é mais eletrônico atualmente, mas o rock'n'roll segue sendo uma opção usada para fazer barulho: antes da classificação para o GP da Turquia —por si só um momento tenso porque a previsão do tempo apontava que havia chuva a caminho do circuito—, a garagem da Red Bull tocava "Rollin", da banda norte-americana Limp Bizkit, bastante alto. E há a suspeita por parte da Mercedes de que as caixas de som sempre estão viradas para a sua garagem para atrapalhar o trabalho dos mecânicos. As duas equipes são vizinhas nos boxes de todas as provas.

Voltando a 1983, as Brabham costumavam largar com combustível suficiente para fazer metade da prova mas, para a decisão, eles colocaram só 70 litros em um tanque que tinha capacidade para 220 litros. A tática era simples: fazer com que os rivais forçassem seu equipamento tentando acompanhar Piquet e quebrassem, em dias em que os carros eram bem mais frágeis.

Dito e feito: Piquet largou em segundo, tomou a ponta e começou a abrir, enquanto Arnoux teve o motor quebrado na volta 9 e o líder Prost na 35, quase na metade da prova. Podendo ser até quarto para garantir o título, o brasileiro chegou em terceiro, na corrida vencida por Riccardo Patrese, selando a conquista do bicampeonato.

E as caixas de som já deveriam estar preparadas para comemorar o que seria o segundo dos três títulos de Piquet na Fórmula 1.