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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Vettel cobra mais ação por inclusão e tecnologias verdes "ou F1 vai morrer"

Vettel tem usado camisetas para promover suas pautas de sustentabilidade - Aston Martin/Divulgação
Vettel tem usado camisetas para promover suas pautas de sustentabilidade Imagem: Aston Martin/Divulgação
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

13/10/2021 04h00

Sebastian Vettel disputou o GP da Turquia, no último domingo, com um capacete que fazia alusão à importância da preservação da vida marinha. Algumas corridas atrás, usava uma camiseta no grid apoiando o movimento LGBTQI+. Em Silverstone, ajudou a separar o lixo reciclável nas arquibancadas. Na Áustria, levou crianças para um local que luta pela preservação das abelhas. Não há dúvidas de que o alemão está engajado em causas voltadas aos direitos humanos e ao meio ambiente, ao mesmo tempo que é piloto de Fórmula 1 e vai, com a categoria, a países como a Arábia Saudita ou a Rússia, entre outros.

E ele defende que uma coisa tem tudo a ver com a outra: seu engajamento é necessário justamente porque ele enxerga estes conflitos, e quer que a categoria o faça também. "Acho válido porque a F1 não é verde. Vivemos numa época em que temos inovações e possibilidades de tornar a F1 verde sem perder nada do espetáculo, da velocidade, do desafio, da paixão. Temos tantas pessoas inteligentes e poder de engenharia aqui, poderíamos encontrar soluções", defendeu o piloto em uma longa entrevista sobre o tema.

Sobre os países em que a F1 corre - entre os últimos países a entrarem no calendário estão Rússia, Azerbaijão, Arábia Saudita e Qatar - Vettel também acredita que o esporte pode ser um caminho para o diálogo, e acha que é possível fazer mais do que a atual campanha chamada We Race As One, um momento antes da largada dedicado para os pilotos se posicionarem sobre causas sociais e ecológicas. "Alguns assuntos são grandes demais para serem negligenciados. Todos concordamos - e não importa de onde você vem - que é justo que as pessoas sejam tratadas igualmente. Países têm regras diferentes e não posso falar como um especialista porque não sou um. Para alguns países, acho que não dá para ir. Vamos para alguns destes lugares e estendemos uma faixa com mensagens bonitas. Mas acho que precisamos de ações, não de palavras."

Vettel vê combustível como caminho para a F1 ser mais verde

vettel - Reprodução - Reprodução
Vettel, com camiseta de apoio à causa LGBTQIA+, antes do GP da Hungria, em Budapeste
Imagem: Reprodução

Falando em ações, algo que o tetracampeão vê como factível e urgente é a mudança do combustível da Fórmula 1 começando o quanto antes. No momento, a categoria usa 10% de biocombustível de fontes secundárias, com um aumento gradual ao longo dos anos. Mas Vettel não acredita que este seja o caminho, já que o biocombustível é questionável dependendo de suas fontes. Por isso, ele acha que a categoria deve usar seu poderio em termos financeiros e de engenharia para ajudar a desenvolver combustíveis sintéticos relevantes para o dia a dia.

"No momento, temos um motor supereficiente, mas inútil porque não é algo que você vá ver nas ruas. Há algumas coisas mais relevantes sendo discutidas e isso é bom. Se elas não acontecerem, acho que a F1 vai desaparecer - e com razão. Temos reagido ao invés de sermos pró ativos. E acho que vamos fazer isso de novo em relação aos combustíveis sintéticos porque vamos congelar os motores depois de 2022."

O plano atual da F1 é congelar o desenvolvimento das unidades de potência entre 2022 e 2025, com um aumento da porcentagem de biocombustíveis ao longo deste período. E, em 2026, simplificar seu motor ao mesmo tempo em que o uso de energia elétrica será aumentado e o abandono total de combustíveis fósseis. Mas não há uma definição de como serão estes novos combustíveis. E o que existe no campo dos combustíveis sintéticos hoje em dia não tem octanagem suficiente para ser aceito pelo regulamento da categoria.

"Não tenho todas as respostas. Mas temos muitos engenheiros. Temos mais de um bilhão de carros no mundo usando combustíveis fósseis todos os dias. Encontrar uma alternativa real para isso tem de ser uma das soluções para o futuro."