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REPORTAGEM

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Vitória é alento para Ricciardo em ano longe da família e difícil na pista

12.09.21 - Vencedor do GP de Monza, Daniel Ricciardo, cumprimenta o companheiro de equipe Lando Norris, que ficou com a segunda posição - Lars Baron/Getty Images
12.09.21 - Vencedor do GP de Monza, Daniel Ricciardo, cumprimenta o companheiro de equipe Lando Norris, que ficou com a segunda posição Imagem: Lars Baron/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

13/09/2021 04h40

Daniel Ricciardo tinha todos os motivos para deixar o seu famoso sorriso de lado neste ano: a adaptação com a McLaren não foi das melhores, ele tinha dificuldade em casar seu estilo de pilotagem ao carro e ainda via o companheiro bem mais jovem ser um dos destaques do campeonato. Para piorar, as restrições de viagens australianas significam que ele não vê a família há mais de um ano, fator que, ele nunca escondeu, pesava contra ele.

Mas não. Ele escolheu continuar sendo o mesmo Ricciardo, enfrentou as críticas e trabalhou duro, e agora está colhendo os frutos disso. Em Monza, no último domingo, aproveitou a chance dada pelos pilotos dos favoritos Mercedes e Red Bull, e voltou a vencer depois de quase três anos.

"Esperar dois anos e meio faz você apreciar isso muito mais. Não quero que passe logo, não quero esquecer. Não tenho garantia nenhuma de qual será a próxima, então quero absorver tudo o que eu puder", disse o piloto, que comandou uma dobradinha da McLaren, com Lando Norris em segundo. Valtteri Bottas foi o terceiro.

"A primeira vitória no Canadá foi sensacional. Quando ganhei em Mônaco, havia uma sensação de euforia. E essa é minha sensação agora. Sinto que estou nas nuvens. Não sei se é porque já faz tanto tempo, ou se é por é Monza, ou se é pelos altos e baixos (na sua maioria, baixos) que eu tive neste ano. São muitas coisas juntas."

A última vitória de Ricciardo tinha sido pela Red Bull, equipe que decidiu deixar ao final de 2018, descontente com o espaço que sentia estar perdendo para Max Verstappen. O australiano foi para a Renault, equipe na qual também teve um começo difícil, jogo que começou a virar a partir da segunda metade de 2019.

Mas quando veio a proposta da McLaren, Ricciardo mudou de casa novamente, acertando em 2020 que defenderia o time inglês a partir deste ano. E a história dos problemas de adaptação se repetiram, fazendo com que sua primeira metade de temporada fosse bastante instável: enquanto seu companheiro Norris está lutando pelo terceiro lugar entre os pilotos, seu melhor resultado tinha sido um quinto lugar até agosto.

Agora, é difícil dizer se a história da Renault está se repetindo: Ricciardo tem um quarto lugar, um 11º e uma vitória na segunda metade do campeonato até aqui. Mas o GP da Bélgica não teve bandeira verde, e Spa e Monza são pistas em que o carro da McLaren tende a se adaptar bem.

De qualquer maneira, após tantos baixos, é um ponto alto que motiva Ricciardo. "É por isso que eu estou neste esporte. Há muito mais dias ruins do que bons. A proporção de vitórias por provas disputadas fala por si: ganhei uma em dois anos e meio. Você não ganha sempre, então há muito mais decepção do que alegria mas a decepção torna a alegria muito maior. Isso é viciante e faz com que tudo valha a pena."

Longe de casa

As dificuldades dos últimos meses foram pioradas por uma situação fora do controle do australiano, que não consegue ver os pais há 15 meses por conta das restrições de seu país relacionadas à pandemia.

"Não quero soar muito sentimental, mas não ver a família, não ver minha mãe e meu pai nos últimos 15 meses… para qualquer pessoa que sabe o que significa uma família e que é afeto, eles vão entender. Quinze meses é uma loucura, e não vou vê-los por provavelmente por mais uns três ou quatro meses."

A equipe sabe o quanto a presença da família tem feito falta para Ricciardo. Tanto, que o CEO da McLaren, Zak Brown, foi cumprimentar seu piloto com o celular já conectado com os pais do australiano. É algo que torna este momento mais emocionante e faz com que eu tenha mais gratidão."

Mas será a vitória em Monza uma guinada para Ricciardo? Ele se classificou à frente de Norris por apenas seis milésimos para o sprint, disputado no sábado. Na corrida de 18 voltas, o inglês ficou mais preocupado em se defender de Lewis Hamilton, deixando Ricciardo correndo tranquilamente mais à frente. Terminou em terceiro e acabou ficando com a segunda posição no grid por uma punição a Valtteri Bottas, e tomou a liderança na largada, ultrapassando Max Verstappen.

O holandês teve uma troca de pneus lenta, perdeu terreno e bateu com Hamilton, abrindo caminho para a dobradinha da McLaren. E Norris, embora sentisse que tinha mais ritmo, acatou a decisão da equipe de não liberar a briga entre os dois e garantir o resultado.

Ou seja, foi uma vitória circunstancial, mas que mostra que Ricciardo não esqueceu como se pilota, como ele mesmo disse, e está indo no caminho certo em direção à adaptação à McLaren, que se consolida como a terceira força do campeonato.