PUBLICIDADE
Topo

Pole Position

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

F1 vê briga na pista entre Hamilton e Verstappen decidir um GP pela 3ª vez

Lewis Hamilton, da Mercedes e Max Verstappen, da Red Bull, se cumprimentam  - Nicolas Tucat/Getty Images
Lewis Hamilton, da Mercedes e Max Verstappen, da Red Bull, se cumprimentam Imagem: Nicolas Tucat/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

21/06/2021 04h00

Não é à toa que, pela terceira vez no ano, os rivais na disputa pelo título na Fórmula 1 se encontram nas voltas finais de uma corrida, e uma disputa direta entre Max Verstappen e Lewis Hamilton define a prova: há anos a categoria não vê carros tão igualados brigando por vitórias. Desta vez, no GP da França, disputado no último domingo (20), a vantagem foi de Verstappen, que superou Hamilton com menos de duas voltas para o fim para vencer pela terceira vez em sete etapas disputadas até aqui. O holandês agora lidera o campeonato com 12 pontos de vantagem.

O GP francês, que vinha ganhando fama de corrida monótona após voltar ao calendário em 2018, desta vez teve ação do começo ao fim, e poderia muito bem ter tido um resultado diferente, com Hamilton ou até mesmo Sergio Perez, também da Red Bull, vencendo: enquanto, há dois anos, Hamilton venceu com 18s de vantagem para o segundo colocado, os quatro primeiros terminaram separados por 14s no último domingo.

A Mercedes acredita que tinha carro para vencer a corrida, e saiu de Paul Ricard sem entender por que seus cálculos de estratégia provaram estar errados: largando em segundo, Hamilton tomou a ponta depois de Verstappen sofrer com o vento na primeira freada e escapar, e tinha três segundos de vantagem quando o holandês fez sua parada. "Perdemos a corrida ali", avaliou Toto Wolff. "Porque achamos que ele não voltaria na frente depois da parada de Lewis, achávamos que estávamos protegidos. E a partir daí as coisas se complicaram."

Isso porque, assim como no Azerbaijão, a Red Bull conseguiu fazer um ataque de 2 x 1 em cima da Mercedes, antecipando a parada de Verstappen e alongando a primeira perna da corrida de Perez. Então depois da rodada de pit stops, a Mercedes estava encaixotada entre um piloto que poderia parar duas vezes (Verstappen) e um que iria até o final, e com os pneus em boas condições (Perez). Se Hamilton não parasse, ficaria exposto. Se fizesse uma segunda troca, provavelmente teria que passar os dois na pista. Bottas também estava por perto desta vez, mas na mesma estratégia de Hamilton.

red bull - Joe Portlock/Getty Images - Joe Portlock/Getty Images
Max Verstappen e Sergio Perez, da Red Bull, celebram após o GP da França
Imagem: Joe Portlock/Getty Images

O mais interessante desta briga é que são dois carros com filosofia muito diferentes e, portanto, características distintas. Por ter a traseira mais alta em relação ao solo, a Red Bull pode andar com uma asa dianteira mais fina sem perder tanta pressão aerodinâmica, o que lhe dá mais velocidade de reta, mas faz o carro gastar mais pneu. Enquanto é mais difícil fazer ultrapassagens com a Mercedes e sua asa maior, mas é mais fácil cuidar dos pneus.

Tendo isso em vista, o GP da França mostrou que a Red Bull aprendeu a lição do GP da Espanha, a última corrida disputada em um circuito permanente e que teve um desenho bem parecido: naquela ocasião, quando Hamilton perseguia Verstappen sem conseguir passá-lo, a Mercedes o chamou aos boxes, ele tirou a diferença e passou o rival, já sem pneus, no final, ou seja, a Mercedes usou sua vantagem com os pneus para anular a vantagem da velocidade de reta da rival.

Desta vez, a Red Bull não deixou isso acontecer: sabendo que os pneus de Verstappen acabariam antes dos de Hamilton de qualquer maneira, a equipe o chamou para os boxes. "Eles estavam nos forçando muito e não queríamos ficar na mesma posição de Barcelona. É claro que é difícil chamar o piloto para os boxes com 21 voltas para fim quando ele está na liderança, mas foi isso que fizemos. Devolvemos aquela de Barcelona", disse o chefe da Red Bull, Christian Horner.

Isso porque, como Hamilton fez com Verstappen há pouco mais de um mês, desta vez foi o holandês que o passou no finalzinho, devolvendo não apenas a derrota de Barcelona, como também a primeira etapa, quando Max tinha pneus mais novos no final, mas saiu da pista na hora de passar, e a vitória acabou ficando com Lewis.

Com carros tão complementares e com o rendimento tão parecido em pistas mais normais especialmente desde que a Red Bull encontrou seu caminho com a asa traseira, é de se esperar que brigas como essas continuem ao longo do ano. A F1 está iniciando na França uma sequência de três corridas em fins de semana seguidos, partindo para duas provas na Áustria.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL