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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mercedes precisa de reação de Bottas (e ele também) em rodada tripla da F1

Valtteri Bottas está na Mercedes desde 2017 - LAT Images/Mercedes
Valtteri Bottas está na Mercedes desde 2017 Imagem: LAT Images/Mercedes
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

15/06/2021 04h00

Max Verstappen e Lewis Hamilton entram na primeira sequência de três corridas em três finais de semana seguidos da temporada da Fórmula 1 como os protagonistas, divididos por apenas quatro pontos na luta pelo campeonato. Mas as atenções também estarão voltadas para Valtteri Bottas, piloto fundamental tanto para Hamilton, quanto para a Mercedes, que tem cada vez mais motivos para acreditar que a briga pelo título de construtores com a Red Bull também será apertada.

A grande prova disso foi a performance de Sergio Perez, companheiro de Verstappen, na última corrida, no Azerbaijão. O mexicano, fazendo sua sexta corrida pelo time, não apenas venceu, como também foi o piloto mais rápido do domingo.

E isso não parece ter sido um golpe de sorte ou uma questão de adaptação à pista de Baku, onde ele sempre andou bem. Perez já vinha demonstrando evolução no ritmo de corrida, mas ainda não estava se entendendo com o carro aos sábados. Depois de Mônaco, o mexicano disse ter estudado os dados a fundo e compreendido qual o melhor caminho para tirar o máximo de sua Red Bull e vinha bem por todo o fim de semana no Azerbaijão, classificando-se apenas em sétimo mais devido às bandeiras amarelas e vermelha no Q3 do que por uma questão de ritmo puro.

Enquanto Perez vem em franca ascendência, Valtteri Bottas teve um fim de semana para esquecer em Baku. O finlandês andou sempre atrás de Hamilton e não teve confiança suficiente para optar por um acerto mais agressivo, que mudou o comportamento do carro para o heptacampeão, permitindo que ele lutasse pelas primeiras posições na corrida enquanto Bottas era ultrapassado pelas Alfa Romeo e, mesmo que nada de errado tenha acontecido em sua corrida, terminasse fora dos pontos.

"Estou perdendo [em relação a Hamilton] em todas as curvas e, se eu forçar mais, vou parar no muro. É estranho, não tenho explicação. Acho que algo está errado", disse o finlandês em Baku.

monaco - Sebastien Nogier/Reuters - Sebastien Nogier/Reuters
Carro de Valteri Bottas, da Mercedes, teve problemas durante o pit stop em Mônaco
Imagem: Sebastien Nogier/Reuters

O mais estranho foi a inversão entre os pilotos da Mercedes em termos de performance nos dois últimos finais de semana: em Mônaco, pois era Hamilton quem não encontrava explicação para a falta de aderência que sentia vindo do carro, enquanto Bottas estava em segundo na corrida até que uma falha no pit stop da Mercedes o tirou da prova.

No GP da França, que será disputado neste fim de semana, tudo aponta para uma corrida mais normal para a Mercedes. Nas duas provas disputadas desde que o evento voltou ao calendário, em 2018, o time alemão fechou a primeira fila no grid, e Lewis Hamilton venceu de forma dominante. A corrida não foi disputada em 2020 por causa da pandemia.

Bottas tem bom retrospecto na Áustria

Mas a grande chance de Bottas mostrar serviço deve ser nas outras duas provas da sequência de três que a F1 faz até o início de julho. Elas serão na Áustria, onde Bottas chegou ao pódio pela Williams em 2014 e conquistou duas das suas nove vitórias na F1. Ano passado, quando a F1 também correu por duas vezes seguidas no Red Bull Ring, ele venceu uma corrida e foi segundo na outra.

Além disso, a Áustria nunca foi uma prova em que a Mercedes foi tão dominante quanto em outros circuitos, já que é uma pista curta, com poucas curvas, e com o asfalto liso, e, mesmo quando a Red Bull não esteve tão próxima em termos de desempenho ao longo da temporada, Max Verstappen conseguiu, em 2018 e 2019, bater os carros alemães. Então uma boa performance de Bottas seria ainda mais importante para sua equipe.

Mas esse não é o único objetivo do finlandês, que corre, também, pela sua carreira na Fórmula 1, uma vez que dificilmente será mantido para a próxima temporada na Mercedes, ainda que ele garanta que ainda não há nada decidido.

"Não conversamos [sobre a renovação] porque o campeonato demanda muito e é muito importante poder trabalhar em paz, então você foca no mais importante, que é a performance. Mas o tempo começa a voar quando chegamos nestas sequências de três corridas, e não teremos muito tempo. Imagino que, no mês que vem, vamos começar a conversar. Eu sei de experiências anteriores que, quanto antes começarmos, melhor para todos."

Mas, se Bottas não ficar na Mercedes e com poucas vagas podendo abrir neste ano, depois de uma movimentação intensa no mercado de pilotos em 2020, qual seria a saída para o piloto que completa 32 anos em agosto?

"Tenho a mente muito aberta em relação à vida no geral. Você precisa aproveitar as oportunidades e nunca se sabe o que pode acontecer. E foi isso, junto das metas claras, que me trouxe até onde eu cheguei hoje. Ainda gosto da F1 e, é claro, de disputar as primeiras posições. E, olhando o cenário como um todo, tenho certeza de que ainda tenho alguns anos de carreira. Sinto que estou melhorando ano após ano e estou ficando melhor. Estou longe de ser um dos mais velhos do grid, então, em teoria, ainda tenho tempo, mas não dá para saber o que o futuro trará. Vou levando as coisas de fim de semana em fim de semana e vamos ver o que acontece."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL