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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Grosjean fará 'despedida' da Fórmula 1 pilotando carro do hexa de Hamilton

Romain Grosjean prova o cockpit da Mercedes de 2020 antes de teste, marcado para junho - Daimler AG
Romain Grosjean prova o cockpit da Mercedes de 2020 antes de teste, marcado para junho Imagem: Daimler AG
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

05/05/2021 07h50

Quando o francês Romain Grosjean percebeu que seria bastante improvável voltar à pista para as duas últimas etapas da temporada de 2020, após o acidente impressionante que sofrera no GP do Bahrein, do qual saiu com queimaduras sérias nas mãos, sua primeira preocupação foi tentar buscar uma forma de retornar a um carro de Fórmula 1, mesmo que fosse para ter o último gostinho de pilotar um carro da categoria. Afinal, ele sabia que sua carreira na categoria estava no final, já que seu contrato com a Haas não seria renovado.

O chefe da Mercedes, Toto Wolff, então, disse que poderia ajudar Grosjean a realizar seu desejo. As conversas começaram ainda em dezembro e, depois que o francês se recuperou totalmente, voltando às pistas, na Indy, eles se acertaram: Grosjean não vai apenas pilotar um carro de Fórmula 1, mas sim o W10, com o qual Lewis Hamilton foi hexacampeão mundial em 2019, e logo na pista de Paul Ricard, na França. O teste será dia 29 de junho, exatos sete meses após o acidente. E ele ainda fará voltas de apresentação antes da largada para o GP da França, dia 27.

"Estou muito animado em voltar para um carro de F1! Será uma oportunidade especial para mim e dirigir um Mercedes que conquistou um campeonato mundial será uma experiência única", disse Grosjean, que conquistou dez pódios em sua carreira de 179 largadas na categoria. "Estou muito grato à Mercedes F1 e ao Toto pela oportunidade. Quando soube da chance de pilotar um Mercedes ainda estava em minha cama de hospital no Bahrein. Toto deu uma entrevista e fez o convite. E fiquei super animado com essa notícia. A F1 não pôde correr na França em 2020 por causa da covid, então pilotar uma Mercedes no GP da França de 2021 e depois fazer um teste no Circuito Paul Ricard, minha pista caseira, vai ser muito especial. Mal posso esperar pelo dia chegar!"

grosjean - Daimler AG - Daimler AG
Toto Wolff (esq) conversa com Romain Grosjean na fábrica da Mercedes
Imagem: Daimler AG

O teste pode ser entendido como uma despedida, ou como pelo menos a garantia de que a última lembrança de Grosjean em um carro de F1 não será o acidente, no qual chegou a pensar que não conseguiria sair do carro em chamas, já que tentou sair por três vezes e estava preso. Foram mais de 20s até que ele conseguisse escapar, praticamente ileso fora as queimaduras nas mãos, cujas cicatrizes ainda são bastante aparentes.

"Conheço o Romain desde seus dias na Fórmula 3, quando ele ganhou o campeonato. Ele teve uma carreira longa e bem-sucedida na F1 e queríamos ter certeza de que suas últimas lembranças seriam ao volante de um carro campeão. Estou animado para ver qual é o feedback de Romain sobre o W10", disse Wolff. "O acidente dele nos lembra dos perigos que esses caras enfrentam cada vez que entram no cockpit, mas também é uma prova da evolução desse esporte no sentido de melhorar a segurança ao longo dos anos. Eu sei que a comunidade da F1 vai gostar de ver Romain de volta à pista."