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"Ingenuidade" ou tentativa de "tapetão"? Aston e Mercedes agitam bastidores

Toto Wolff, Christian Horner e Otmar Szafnauer conversam no paddock da F1 - Dan Istitene/Formula 1 via Getty Images
Toto Wolff, Christian Horner e Otmar Szafnauer conversam no paddock da F1 Imagem: Dan Istitene/Formula 1 via Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

21/04/2021 04h00

Uma queda de braço que está acontecendo nos bastidores da Fórmula 1 desde os testes de pré-temporada pode até ter influência no curso da disputa entre Lewis Hamilton e Max Verstappen pelo campeonato. A Mercedes do inglês, juntamente com a Aston Martin, pleiteiam a chance de recuperar parte do que perderam com as novas regras aerodinâmicas que entraram em vigor neste ano. Do lado da Red Bull de Verstappen, Christian Horner classificou os questionamentos dos rivais de "ingênuos". Ele não acredita que os pedidos terão resultado.

Estas mudanças foram pedidas no ano passado pela Pirelli, por questões de segurança, e por causa disso não passaram por votação oficial entre as equipes. O questionamento é se todas as alterações de assoalho, difusor e dutos de freio, que foram feitas em dois "pacotes" diferentes - em abril e em julho do ano passado - são mesmo justificadas para tornar todos os carros mais lentos e, assim, evitar problemas com os pneus. Ou se também não houve uma tentativa de diminuir a vantagem da Mercedes usando essa justificativa.

E o que a Aston Martin tem a ver com isso? Em 2020, antes de qualquer mudança ser sequer cogitada, a então Racing Point resolveu mudar radicalmente a filosofia de seu carro, aproximando-o do que a Mercedes - que fornece as unidades de potência, câmbio, transmissão e suspensão para o time - estava fazendo.

Isso fez com que Mercedes e Aston Martin se tornassem os únicos carros a terem uma angulação semelhante entre as partes dianteira e traseira de seus carros, ou seja, um rake baixo. Os demais têm a frente mais próxima do solo do que a traseira e, aerodinamicamente, funcionam de outra maneira. Quando os carros foram à pista na pré-temporada, Mercedes e Aston Martin perceberam que, por causa disso, eles tinham perdido mais com as mudanças que os rivais.

Mercedes - Getty Images - Getty Images
Max Verstappen, da Red Bull Racing, ultrapassa Lewis Hamilton, da Mercedes, no início do GP da Emilia-Romagna
Imagem: Getty Images

O prejuízo para a Aston Martin é maior, já que a briga em que eles estariam no campeonato tem mais equipes. Para a Mercedes, isso significou que a Red Bull, que estava consideravelmente atrás, agora pode lutar, pelo menos, de igual para igual.

"É de se questionar a motivação dessas mudanças. Existe o direito de rever o que aconteceu e discutir com a FIA para descobrir o que realmente aconteceu e como as coisas se desenvolveram", disse o chefe da Mercedes, Toto Wolff. "É por isso que eu respeito o questionamento da Aston Martin, porque talvez nós tenhamos sido o alvo e eles acabaram sofrendo os danos colaterais."

Novos pneus também desagradaram

Wolff fala como se a queixa fosse somente da Aston Martin, mas ele também tem participado das reuniões, tanto com a FIA, responsável pelas regras técnicas, quanto com a Pirelli. Uma das reuniões realizadas em Imola foi, justamente, entre os representantes das duas equipes que se sentiram lesadas e a fornecedora italiana, visando esclarecer como será a construção do pneu de 2022, que terá um aro bem maior - 18 polegadas ao invés de 13 - e já está sendo testado pelas equipes individualmente (nesta semana, inclusive, foi a vez da Mercedes experimentá-los).

wolff - Steve Etherington/Mercedes - Steve Etherington/Mercedes
Toto Wolff é chefe da equipe Mercedes desde 2013 e venceu sete títulos mundiais à frente do time
Imagem: Steve Etherington/Mercedes

Ainda não foi tomada uma decisão, mas o chefe da Aston Martin, Otmar Szafnauer, disse em Imola que estava satisfeito com o andamento das discussões. "Ainda estamos conversando. Só estamos tentando descobrir se todos os passos foram tomados a fim de que tudo tenha sido feito de forma igualitária".

A grande questão é se houve alguma mudança que não seria justificável por motivos de segurança. Neste caso, os times poderiam ser liberados para fazer alterações em seus projetos, o que, em teoria, ajudaria Mercedes e Aston Martin.

No momento, as mudanças estão muito limitadas: tudo o que não é aerodinâmico entra nas regras das fichas de desenvolvimento, e a maioria das equipes já gastou as suas. E o desenvolvimento aerodinâmico é limitado por duas regras - o teto orçamentário e o escalonamento do uso de túnel de vento e CFD, duas normativas que estreiam em 2021.