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Com Verstappen e Perez, Red Bull lança carro novo e vai à caça da Mercedes

A Red Bull de Verstappen e Perez foi apresentada nesta terça-feira (23) - Red Bull Content Pool
A Red Bull de Verstappen e Perez foi apresentada nesta terça-feira (23) Imagem: Red Bull Content Pool
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

23/02/2021 08h04

Vice-campeã no mundial de 2020, a Red Bull mostrou seu carro para a temporada 2021 e sua nova dupla de pilotos, com sua estrela Max Verstappen, e o mexicano Sergio Perez tendo sua segunda chance em um time grande. Perez chega para o lugar de Alex Albon, que sofreu para trazer resultados próximos aos do holandês de 23 anos, que se prepara para sua quinta temporada completa pelo time baseado em Milton Keynes, na Inglaterra. Verstappen e Perez vão correr com o RB16B, que ganhou este nome pela quantidade de peças que puderam ser aproveitadas do carro do ano passado, uma vez que o regulamento de 2021 só apresenta mudanças no assoalho e na traseira do carro para tentar tirar um pouco da pressão aerodinâmica dos carros.

A chegada de Perez é vista por Christian Horner, chefe da Red Bull, como um sinal de maturidade do time, que pela primeira vez desde 2007 foi buscar no mercado, e não em seu programa de desenvolvimento de pilotos, um substituto para Albon. O time viu vários pilotos passarem por seus cockpits nos últimos anos: começou 2016 com Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat, 2017 e 2018 com Ricciardo e Verstappen, 2019 com Verstappen e Pierre Gasly, e 2020 como Verstappen e Albon. E novamente tem um contrato de apenas um ano com Perez, que teve sua primeira chance com um time grande em 2013, na McLaren, mas decepcionou. Agora com 10 anos de experiência na F1, ele busca trazer a consistência aos domingos que estava faltando ao seu antecessor.

A Red Bull sabe que Verstappen não precisa de um companheiro que o force para render em um nível alto. Afinal, ele tem feito isso de forma consistente desde meados de 2018. O que eles precisam é pontuar melhor com ambos os carros e, caso a diferença em relação à Mercedes continuar caindo, ter mais armas para atacá-los usando os dois carros durante as corridas.

Carro mais equilibrado e motor mais forte

Mas qual a chance disso acontecer? É lógico que a Mercedes nunca está parada e, mesmo quando acreditava-se que eles estavam chegando perto do limite em termos de desenvolvimento, apareceram com um conjunto bem mais forte ano passado, com um motor ainda mais potente e um carro que gerenciava muito bem os pneus.

É justamente nestas duas áreas que a Red Bull vem trabalhando. Em 2020, eles finalmente se renderam ao conceito mais semelhante ao da Mercedes para a parte da frente do carro, ao mesmo tempo em que continuaram apostando no rake (diferença de ângulo com o solo formada pela frente, mais baixa, e a traseira mais alta) bem acentuado, que é marca registrada dos carros de Adrian Newey pós-2009. E não é fácil fazer os dois conceitos funcionarem ao mesmo tempo.

Junte-se a isso alguns problemas de correlação com os dados de simulação e os pilotos constantemente perdiam o controle do carro no meio das curvas, porque o fluxo aerodinâmico não era consistente em todo tipo de curva. O carro parecia nervoso especialmente na entrada das curvas, o que gerou alguns subprodutos ao longo da temporada - de destacar a qualidade de Verstappen a minar a confiança de Albon, passando por um carro que não era tão bom quanto espera-se de uma Red Bull no trato com os pneus.

Porém, por ter mudado o conceito e, assim, ter escopo de desenvolvimento (e, sabendo, é claro, que as regras continuariam praticamente as mesmas neste ano), a Red Bull seguiu desenvolvendo o carro até depois que a Mercedes deixou de focar em 2020. Havia um motivo óbvio para isso: entender da melhor forma possível o conceito antes de mudar o assoalho (grande alteração no regulamento deste ano).

Então é de se esperar que o RB16B seja um carro mais estável e previsível e, do lado do motor, a Honda está otimista com a grande atualização que estava sendo preparada para 2022, mas que foi adiantada em um ano depois da decisão da montadora de sair da F1 ao final de 2021. Não é uma nova arquitetura, mas sabe-se que será uma revisão tanto do motor de combustão, quanto dos sistemas de energia renovável, ou seja, algo bastante extenso.

A diferença para a Mercedes em 2020 foi considerável e com todas as limitações em termos de desenvolvimento nestas duas temporadas afetadas pela pandemia é algo difícil de tirar, mas tudo indica que a Red Bull está no caminho certo.