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Perez vê Red Bull como grande chance: 'Vou render mais do que eles esperam'

Sergio Perez foi contratado pela Red Bull para a temporada 2021 da F1 - Mark Thompson\Getty Images
Sergio Perez foi contratado pela Red Bull para a temporada 2021 da F1 Imagem: Mark Thompson\Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

20/01/2021 11h31

O mexicano Sergio Perez não escondeu sua empolgação em sua primeira entrevista como piloto da Red Bull. E não é para menos: aos 30 anos e tendo a carreira de 10 temporadas na Fórmula 1 marcada por pódios por equipes médias, algo raro pelo menos nas últimas duas décadas da categoria, ele esperava, há anos, por uma chance de ter um carro vencedor. A Red Bull ainda está atrás da Mercedes, mas é figurinha carimbada entre os três primeiros, e dá a Perez a primeira chance, de fato, de correr por um time com grandes ambições.

"É uma marca fantástica. Das equipes da F1, achava que era aquela no qual não teria chances porque não fazia parte do programa de jovens deles, mas quando a oportunidade surgiu, eu agarrei. É um sonho que se tornou realidade. Quando eu coloco uma camiseta da Red Bull ou bebo o energético, penso 'uau, eu trabalho para esta marca!' É incrível e difícil de imaginar'', disse o mexicano, que completa 31 anos na semana que vem.

Perez teve uma chance, em 2013, na McLaren, ocupando a vaga que era de Lewis Hamilton. Mas aquela temporada marcou o início da queda do time inglês, e ele também não correspondeu às expectativas. Foram sete temporadas na média Force India (que se tornou Racing Point em 2018) até voltar a ter uma chance. ''É uma oportunidade pela qual trabalhei muito duro - e por mais de 15 anos. Chegou no momento certo. Estou pronto e vou segurar essa oportunidade com as duas mãos.''

A empolgação sobre o futuro é grande embora Perez tenha 10 anos de experiência na F1 e tenha assinado um contrato de apenas uma temporada, mas ele explica: ele estava pronto para se aposentar da categoria depois de ser preterido na Racing Point (que se tornou Aston Martin em 2021) para dar lugar a Sebastian Vettel, e foi confirmado na vaga de Alex Albon depois que a temporada passada terminou.

''Estou sempre forçando ao máximo e ano passado eu finalmente tive um carro com que podia mostrar mais do que sou capaz, mas agora é minha grande oportunidade. Tenho que dar um passo a mais em todos os aspectos e acho que estou pronto. A única coisa que faltava era a oportunidade. Agora eu consegui, e vou fazer as coisas darem certo. Vou me certificar de entregar mais do que eles esperam. Se tivermos um carro para lutar pelo campeonato, vou me certificar que a gente vença. Se não, e só tivermos um carro bom o suficiente para chegar em terceiro, vou me certificar de que terminemos em segundo. Espero que possamos ouvir o hino mexicano muitas vezes ano que vem!''

Perez chega com ''novas ideias''

Para a Red Bull, foi uma contratação estratégica: Perez está, há anos, correndo com motores Mercedes e consegue alguns segredos das unidades de potência que vêm dominando a F1 desde 2014. Isso será particularmente importante para a Red Bull, que já sabe que perderá a parceira Honda no final deste ano e está próxima de assumir o motor, contando que seu desenvolvimento seja congelado por regulamento. Então qualquer expertise nesta área é bem-vinda ao time nesta transição. Não coincidentemente, Perez chega dizendo que está trazendo novas ideias ao time. ''Estive no esporte em equipes diferentes e épocas diferentes. Acho que sei o que preciso de mim mesmo. E também sinto que posso forçar o time em algumas áreas. Acredito que sabemos qual é a direção. Obviamente, eu tenho de esperar para pilotar o carro, mas já há algumas boas ideias que estamos dividindo com a equipe e espero que elas possam trazer mais performance para a pista.''

perez horner - Mark Thompson/Getty Images - Mark Thompson/Getty Images
Christian Horner, chefe da Red Bull, conversa com Sergio Perez
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Na Red Bull, Perez vai encontrar um velho conhecido: o chefe da equipe, Christian Horner, trabalhou com ele antes que o mexicano chegasse à F1, na equipe Arden, na GP2 (hoje Fórmula 2), em 2009. ''Trabalhei com Christian e seu pai, e pilotei para ele na minha primeira temporada na GP2. É uma loucura imaginar que, depois de 12 anos, trabalharíamos juntos de novo. Admiro muito o Christian. Antes de tudo, ele é uma pessoa fantástica e também é um grande líder. Há muita coisa boa no nosso horizonte.''

Por outro lado, ele também vai encontrar por lá um companheiro já muito estabelecido e que é considerado o piloto mais rápido do grid. Aos 23 anos, Max Verstappen pode ainda não ter a consistência de Lewis Hamilton, mas tem as credenciais para ser o futuro da Fórmula 1.

''É um grande desafio para mim. Todos conhecemos Max, o quão talentoso e o quão rápido ele é, e o quanto ele cresceu nos últimos anos e o quão completo ele é agora. Ele é definitivamente um dos melhores e um dos mais rápidos, se não o mais rápido de todos do grid atual. Então é um grande desafio de certa forma. Ele está na equipe há muito tempo (desde 2016), sabe o que quer e o que precisa do carro. Mas é um grande desafio e estou animado para trabalhar com ele e para que possamos, juntos, forçar o time a melhorar.''

Verstappen mostrou, em 2020, mais uma temporada de evolução e tem como marca a forma como se adapta a diferentes comportamentos do carro e da pista. Dentro da equipe, também tem muita força política e é visto como peça importante do projeto da Red Bull na F1 como um todo também comercialmente. No papel, é o pior companheiro possível para Perez, acostumado a liderar na Force India/Racing Point.

O consultor da Red Bull, Helmut Marko, deixou claro o que se espera do novo piloto: "Perez tem que estar perto de Max nas corridas. Veremos em classificação, pois ninguém conseguiu andar no nível dele [Max] ainda, mas ele tem de estar no máximo a dois décimos, talvez menos." Em bom português, espera-se que os dois carros estejam juntos, até para a Red Bull tentar usar uma de suas armas mais fortes - os pit stops, muito mais velozes e consistentes do que os da Mercedes - em um ataque duplo na estratégia. Mas não que Perez supere Verstappen.

A Red Bull ainda não anunciou quando vai mostrar seu carro para 2021, que o chefe Horner indicou em dezembro que levará o mesmo nome do modelo do ano passado, ou seja, seria chamado RB16b. Mas isso ainda não foi confirmado pelo time. Os carros da temporada da F1 começam a ser apresentados no final de fevereiro e a temporada se inicia com o GP do Bahrein, dia 28 de março.