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Férias? Mudanças geradas pela Covid jogam pressão em times da F1 em janeiro

A McLaren é a equipe mais sobrecarregada neste mês de janeiro - Steven Tee/McLaren
A McLaren é a equipe mais sobrecarregada neste mês de janeiro Imagem: Steven Tee/McLaren
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

12/01/2021 04h00

Depois de um campeonato sem precedentes em 2020, com 17 provas sendo disputadas em 23 finais de semana devido às mudanças causadas pela pandemia, era de se esperar que as equipes de Fórmula 1 tivessem tirado o pé após o fim do campeonato, que se estendeu até 13 de dezembro. Mas não. Duas mudanças que também têm, ainda que indiretamente, a ver com a Covid-19 significam que os times estão trabalhando mais duro do que nunca neste mês de janeiro.

A primeira mudança já era conhecida desde abril do ano passado: uma das respostas mais imediatas à pandemia foi o atraso da adoção do novo regulamento, que vigoraria a partir de 2021, mas ficou para 2022. E, para evitar que as equipes com mais dinheiro tivessem vantagem, o desenvolvimento deste novo carro, que é bem diferente do atual, só poderia ser iniciado em janeiro de 2021.

As equipes já estavam se preparando para isso quando outra mudança ficou acertada: como a Pirelli não conseguia garantir que os pneus seriam resistentes o suficiente para uma terceira temporada seguida com os mesmos compostos, foram acertadas mudanças na construção dos pneus e também no assoalho dos carros, para tentar torná-los um pouco mais lentos. Isso porque a Pirelli tinha projetado os pneus para serem usados só em 2019 e usaram como base a pressão aerodinâmica gerada na época. As equipes optaram por continuar com o mesmo pneu em 2020 e, com a pandemia, os compostos tiveram que seguir inalterados para 2021 também. Porém, como os carros ficariam muito mais rápidos do que em 2019 por conta do desenvolvimento normal das equipes, houve a necessidade de melhorar a construção e fazer essas mudanças no assoalho, que só foram acertadas em outubro.

Para completar, o teto de gastos de 145 milhões de dólares entra em vigor neste ano, então as equipes grandes - Mercedes, Ferrari e Red Bull - que gastavam o dobro disso, estão tendo de reajustar suas estruturas.

Sendo assim, o que seria um janeiro pautado pelo início do desenvolvimento do projeto muito importante do carro de 2022, que pode trazer uma mudança significativa na relação de forças do grid, agora precisa se equilibrar com o desenvolvimento desse novo assoalho, sendo que a meta das equipes é recuperar os 10% de performance perdidos em teoria com as mudanças já no início do ano. Quanto mais cedo isso for recuperado, mais rapidamente as equipes vão poder focar quase totalmente no projeto de 2022.

"Será a terceira temporada com a mesma especificação de pneus e os carros continuam se desenvolvendo, então a mudança do assoalho foi a coisa certa a fazer", admitiu James Key, diretor técnico da McLaren. "Mas isso também significa que temos coisas para desenvolver no carro que são específicas de 2021, ao mesmo tempo em que temos muita coisa para fazer no projeto de 2022. E o golpe é forte em janeiro porque não podíamos fazer nada do desenvolvimento aerodinâmico de 2022 antes. É uma consequência ruim das circunstâncias, mas faz sentido. Há muito a ser feito porque precisamos desenvolver carros com filosofias um pouco diferentes entre si por conta das implicações destas regras."

Além dos desafios financeiros das equipes grandes, a McLaren é quem tem mais trabalho pela frente, uma vez que já tinha acertado, em 2019, que trocaria os motores Renault pelos Mercedes em 2021. Eles esperavam fazer essa troca já integrada com o novo regulamento, mas agora primeiro terão de desenvolver um carro semelhante ao de 2020, mas com o novo assoalho, adaptado para o motor Mercedes, e outro, completamente novo, para tentar dar um salto e voltar a vencer em 2022, quando a F1 passará por sua maior mudança de regras pelo menos desde 2014.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.