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McLaren assina opção para entrar em categoria de carros elétricos em 2022

A McLaren vem em boa fase dentro e fora da F1 - Joe Klamar / various sources / AFP
A McLaren vem em boa fase dentro e fora da F1 Imagem: Joe Klamar / various sources / AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

11/01/2021 10h45

A McLaren anunciou que está avaliando a possibilidade de ter uma equipe própria na Fórmula E, categoria de carros elétricos, a partir de 2022. A equipe assinou uma opção para entrar no campeonato, que já conta com uma equipe da Mercedes e teve um time da Renault (que hoje é controlado pela parceira Nissan). A McLaren já tem uma participação importante no campeonato dos carros elétricos, sendo a fornecedora exclusiva das baterias dos carros. É justamente porque esse contrato de exclusividade acaba em 2022 que o time está considerando mudar sua relação com a categoria, tornando-se uma equipe. As baterias serão fornecidas pela Williams Advanced Engineering, que já não é mais controlada pela equipe Williams, que vendeu o controle acionário do braço de engenharia do time para EMK Capital em dezembro de 2019.

Isso também tem a ver com a adoção de um teto orçamentário na Fórmula 1, que deve fazer com que as equipes busquem alternativas para investir em outras categorias a fim de manter o mesmo tipo de estrutura. A partir deste ano, os times só poderão gastar 145 milhões de dólares por ano no campeonato da F1 - com exceção de salários de pilotos, os três demais maiores salários do time, e custos com marketing. No total, calcula-se que o teto fique em torno dos 200-250 milhões de dólares por ano, então quem gastar além disso (Mercedes, Red Bull, Ferrari, Renault e McLaren) deve buscar alternativas para seus funcionários altamente qualificados.

Trata-se de uma ótima notícia para a Fórmula E, que recentemente confirmou que duas montadoras - BMW e Audi - vão sair do campeonato nos próximos anos. Ambas as montadoras alemãs afirmam que já atingiram o que queriam em termos de compreensão dos carros elétricos na categoria, e não faz mais sentido continuar investindo nela. O CEO da McLaren, Zak Brown, inclusive disse que a saída das montadoras fará parte do processo de avaliação o qual a McLaren fará ao longo de 2021 para decidir entrar ou não na Fórmula E. "Decidimos assinar essa opção para termos tempo adequado para avaliar a Fórmula E como uma plataforma para a McLaren Racing no futuro. Será uma avaliação extensa a respeito de uma série de factores, incluindo o novo carro [ao contrário da F1, em que cada construtor faz seu próprio carro, na Fórmula E adota-se o mesmo chassi para todos], o teto orçamentário que será adotado, questões comerciais e de marketing e os motivos pelos quais essas montadoras decidiram não continuar."

Brown deixou em aberto a possibilidade de fazer uma parceria com uma equipe que já está no grid da Fórmula E, que teve o português Antonio Felix da Costa como campeão na temporada 2019/2020 e que está marcada para começar no final de fevereiro, com uma rodada dupla na Arábia Saudita, depois que a etapa do Chile, que abriria o campeonato em janeiro, foi adiada devido à pandemia.

A McLaren, que também tem uma equipe na Indy, vem em uma crescente depois de ter problemas de fluxo de caixa logo depois do começo da pandemia. A empresa só conseguiu equilibrar suas contas depois de receber uma injeção de 150 milhões de libras (mais de 1.1 bilhão de reais) do Banco Nacional do Bahrein, ligado ao fundo que tem mais de 40% das ações do McLaren Group. E, no final de 2020, o time anunciou que um fundo de investimentos norte-americano vai injetar quase 1.4 bilhão de reais nos próximos anos, chegando a 33% do controle acionário em 2022. Na pista, o time também vem em ascensão, depois de perder muito terreno por problemas de aerodinâmica nos projetos a partir de 2013, seguido por uma parceria que acabou não dando certo com a Honda. Ano passado, o time foi o terceiro colocado no mundial de construtores, o melhor resultado em quase 10 anos, e em 2021 eles voltarão a ter o motor Mercedes.