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Acidente vem em hora decisiva para futuro de Albon: "Deveria ter evitado"

Alex Albon durante os treinos livres do GP do Bahrein - Mark Thompson/Getty Images
Alex Albon durante os treinos livres do GP do Bahrein Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

27/11/2020 15h21

Um acidente forte na segunda sessão de treinos livres do GP do Bahrein não poderia ter vindo em pior hora para Alex Albon. O tailandês está sob grande pressão uma vez que a Red Bull está avaliando se continua a contar com ele ano que vem.

Não que ele não esteja acostumado a um cenário como este: na primeira vez que ele perdeu o apoio da Red Bull após apenas um ano em 2012, e sua carreira correu o risco de acabar por ali, e depois no final de 2018, quando ele foi terceiro na F2 e, sem conseguir uma vaga na F1, tinha ido para a Fórmula E e deixado seu sonho para trás, quando foi chamado de volta pela Red Bull, para correr na então Toro Rosso.

Mais uma vez correndo para salvar a carreira neste final de campeonato, Albon lamentou o erro no treino livre. Ele escapou da pista e tentou continuar acelerando, mas os pneus do lado esquerdo estavam numa zona com muito menos aderência, o que puxou o carro para o lado e Albon perdeu o controle, batendo forte. Ele chegou a ir para o centro médico, mas está bem.

"Foi daquelas coisas que eu deveria ter conseguido evitar", lamentou. "Fiquei surpreso com a falta de aderência. Uma batida difícil, num ângulo estranho. Não é divertido, mas está tudo bem. Eu tirei o pé, mas não o suficiente. Quando você tem um dos pneus na grama artificial e um pneu na área que tem mais aderência, essas perdas de controle podem acontecer."

O chefe de Albon, Christian Horner, reconheceu que o acidente foi "frustrante", mas destacou que, pelo menos, o tailandês não vai precisar de um novo monocoque e provavelmente, também poderá reutilizar o motor, evitando perdas de posição no grid. "Parece que o monocoque está ok, o motor também, e ele não estava usando a caixa de câmbio da corrida. Mas isso vai manter os mecânicos ocupados hoje à noite. É difícil quantificar em dinheiro, mas é um custo elevado porque o carro girou no muro. Então ele está batido em pelo menos três lados, talvez nos quatro: asa traseira, dianteira, bico. É uma quantia significativa."

Perguntado sobre a pressão em que Albon está devido a sua situação contratual, Horner destacou a evolução do piloto. "Na última corrida e até aqui no Bahrein, em termos das sensações dele com o carro, ele estava melhorando cada vez mais. O retorno dele é consistente com o retorno do Max. É uma pena que ele tenha sofrido o acidente. Ele não conseguiu uma volta boa com os médios, então isso já o atrapalhou, e o acidente não ajuda. Mas tomara que amanhã seja um novo dia."

A Red Bull não costuma ser tão paciente com pilotos que não rendem bem, mas o caso de Albon é diferente: ele corre pela Tailândia, mesmo país do sócio majoritário da empresa de bebidas energéticas, que estaria pressionando por sua permanência. Mas pesa contra o fato de, com o segundo melhor carro do grid, ele estar apenas em nono no campeonato.

A Red Bull já conversou com Sergio Perez e Nico Hulkenberg a respeito da vaga, e ambos os pilotos aguardam uma decisão. Perez está atualmente em grande fase, sendo o terceiro piloto que mais pontuou nas últimas corridas, atrás apenas da dupla da Mercedes. E Hulkenberg foi bem nas três oportunidades que teve como substituto ao longo da temporada. Mesmo com o acidente desta sexta-feira, não é esperado que a Red Bull divulgue sua decisão antes do final do campeonato, que tem mais três etapas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.