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Pole Position

Reta final da F1 começa com 2 GPs no Bahrein. Em pistas bastante diferentes

GP do Bahrein de 2019, no circuito de Sakhir - ANDREJ ISAKOVIC/AFP
GP do Bahrein de 2019, no circuito de Sakhir Imagem: ANDREJ ISAKOVIC/AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

25/11/2020 04h00

A Fórmula 1 volta neste final de semana com o GP do Bahrein, e a única novidade é a época do ano em que a corrida será realizada: ao invés do início da primavera no hemisfério norte, em abril, a corrida será no final do outono. O traçado é o mesmo de sempre e o horário (com largada ao entardecer) também. Mas tudo muda na segunda corrida no país, já no final de semana seguinte, dia 6 de dezembro: será usado, pela primeira vez, o anel externo, um traçado bastante curto e com poucas curvas, em uma corrida totalmente noturna.

Os pilotos estão divididos: há quem acredite que será uma corrida movimentada. Há quem ache justamente o contrário. Mas há uma certeza: a classificação deve ser o momento mais difícil do final de semana. Isso porque o traçado tem 3.543m, o que quer dizer que, se os 20 carros estiverem juntos na pista, eles ficariam divididos entre si por 175m. Para se ter uma ideia, os circuitos permanentes mais curtos do campeonato geralmente são Interlagos e Red Bull Ring, com 4,3km. No GP de Sakhir, nome dado para a segunda etapa do Bahrein, o tempo de volta em classificação pode ficar abaixo dos 55s.

Classificação caótica

bahrein - Reprodução - Reprodução
Traçado da segunda corrida do Bahrein
Imagem: Reprodução

E o que costuma acontecer nesses dois circuitos? As classificações são difíceis devido ao tráfego e à pouca diferença entre os tempos. Dependendo da temperatura do asfalto (que deve estar relativa baixa, já que a sessão começa às 20h locais), é provável que sejam necessárias duas voltas rápidas para tirar o máximo do rendimento do pneu. É uma receita de caos, algo que George Russell, da Williams, vê como uma grande oportunidade.

"É empolgante porque os tempos serão muito próximos. Acho que vamos ficar todo mundo dentro do mesmo segundo. Você tem de acertar a volta porque, mais do que em qualquer outro lugar, se você cometer um carro, não tem curvas suficientes para recuperar. Então vai ser empolgante".

É aí que entra uma diferença marcante entre o anel externo do Bahrein e as outras pistas curtas do calendário: são poucas as curvas. A pista usa a reta principal do GP do Bahrein e as três primeiras curvas, e depois segue reto no que seria a curva 4, retornando na 14, que precede outra longa reta e as duas últimas curvas do circuito tradicional. E, fora essas curvas, a maior parte do traçado do anel externo é formada por retas, como explicou Carlos Sainz. "Só tem duas curvas a mais. O restante das duas ou três curvas daquela pista nós conhecemos. Então vai ser fácil memorizar. Mas ao mesmo tempo vai ser difícil de acertar o carro porque não é uma pista típica para a Fórmula 1. Você nunca vai para esse tipo de pista só com retas e poucas curvas."

Sainz acredita que as configurações dos carros serão similares a Monza, por exemplo, com asas mais baixas. "Vai ser meio que um experimento para a F1 e vai gerar um tipo diferente de corrida. Acho que vamos ouvir falar muito de níveis de asa."

Vai dar para ultrapassar?

Que será um desafio, não há dúvidas, mas os pilotos estão divididos em relação à possibilidade de ultrapassagem. Serão três zonas de ativação da asa móvel mas, mesmo assim, pode ser difícil lutar por posições. "Só espero que dê para seguir o outro de perto o suficiente para dar para ultrapassar porque, caso contrário, vai ser igual à outra corrida no Bahrein. É uma corrida ótima, mas queríamos algo mais picante, já que estamos mudando para outro traçado", disse Esteban Ocon.

Para seu companheiro de Renault, Daniel Ricciardo, isso vai depender justamente das curvas que estão no segundo setor, ou seja, as únicas que os pilotos não conhecem. "Acho que a gente nunca andou em um circuito assim. Espero que, na chicane [que é de alta velocidade] dê para aproveitar para pegar o vácuo, porque isso geraria mais chances de ultrapassagem."

Como se não houvesse dúvidas suficientes, o canadense Nicholas Latifi ainda lembrou ainda que é bem provável que o asfalto varie entre o trecho do circuito "normal" e o anel externo. "A impressão [pelos simuladores] é de que o asfalto é bem ondulado. Isso definitivamente mudaria o nosso acerto", apontou o piloto da Williams, lembrando que os pilotos já sofreram em duas pistas que foram asfaltadas às vésperas de corridas neste ano, mostrando o quanto a superfície interfere no rendimento dos carros. "Eu tenho certeza de que a disputa será ainda melhor do que na primeira corrida do Bahrein", disse um animado Latifi.

Mas, antes que chegue a hora desse desafio, a primeira corrida no Bahrein será no velho conhecido e bastante seletivo circuito de 5.412m, com os primeiros treinos livres nesta sexta-feira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.