PUBLICIDADE
Topo

Pole Position

Como dona da F1 quer aproveitar chance dada pela pandemia para encurtar GPs

Equipe Red Bull prepara o carro de Max Verstappen na pista de Imola -  Mark Thompson/Getty Images
Equipe Red Bull prepara o carro de Max Verstappen na pista de Imola Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

31/10/2020 07h44

O formato que a Fórmula 1 testa neste final de semana no GP da Emilia Romagna, disputado no circuito de Imola, na Itália, pode se tornar comum no futuro para a categoria: fazer apenas 1h30 de treino livre (terminando apenas 2h30 antes da classificação) ao invés das 4h habituais e a corrida no domingo.

A opção por mudar a programação, usada já há anos na F1, desde que o warm-up, treino que era realizado no domingo de manhã como preparação para a corrida, deixou de ser feito, em 2003, foi uma solução encontrada para a corrida de Imola simplesmente porque não havia tempo hábil para as equipes levarem, por terra, os equipamentos do sul de Portugal, onde foi realizada a última etapa, no domingo, até a região central da Itália. Isso, lembrando que os carros são transportados desmontados e levam pelo menos um dia para serem montados pelos mecânicos.

Mas essa mudança também é vista como um teste, pois já há algum tempo a Liberty Media, dona dos direitos comerciais da F1, já percebeu que a maneira mais fácil de convencer as equipes a aumentar o número de provas é diminuindo as atividades do GP, uma vez que os times têm reclamado que seus profissionais estão cada vez mais pedindo para assumir postos na fábrica, e não no time que vai às corridas, devido ao cansaço. E há uma resistência em montar duas equipes de corrida, já que existe o temor de que o nível de qualidade não seria mantido entre mecânicos e engenheiros.

Para os pilotos, que têm uma carga de trabalho reduzida em relação aos outros profissionais da equipe, não há nenhum problema com o formato atual, mas ainda assim uma redução seria bem-vinda para aumentar a dificuldade de adaptação, como apontou Daniel Ricciardo.

"Acho que é empolgante porque os pilotos têm que aprender tudo mais rapidamente e ser muito eficientes. Não dá tempo de perder voltas. Com os treinos livres que temos hoje, você pode se dar ao luxo de testar muitas coisas. O importante é que seja o mesmo para todos e, a partir daí, todos vão se adaptar", lembrou o australiano, fazendo a ressalva de que, em circuitos de rua, é importante para os pilotos terem mais tempo de pista.

"Em um circuito como Mônaco seria mais complicado. Primeiro, porque gosto muito de correr lá e quero o maior número de sessões possível, mas com certeza ir direto do único treino livre para a classificação, seria no mínimo interessante."

Pandemia é vista como oportunidade

A Liberty Media apresentou recentemente para as equipes um calendário recorde com 23 corridas para 2021, incluindo uma prova o GP do Brasil no Rio de Janeiro, ainda que a proposta seja vista como uma prévia de uma temporada que, efetivamente, terá de ser reduzida novamente devido ao coronavírus. Em 2020, estavam previstas 22 provas, mas apenas 17 serão realizadas.

Caso a pandemia atrapalhe realmente os planos da Liberty, o formato que está sendo testado em Imola poderá ser usado em outras oportunidades, especialmente se houver a necessidade de fazer provas em três finais de semana seguidos. "Podemos aplicar esse novo formato, se ele funcionar, nessas provas em sequência", disse o chefe da Haas, Guenther Steiner. "Em relação ao calendário de 23 provas, se você já começar com comprometimentos [por conta da pandemia] não consegue fazer nada. A F1 está trabalhando de maneira diligente para ter um calendário completo ano que vem e, se algumas não acontecerem, não será tão ruim. Não dá para esperar até tudo estar 100% resolvido com essa pandemia porque pode levar anos."

Com o cenário de incertezas, também é mais fácil flexibilizar os contratos vigentes com os promotores, que são os grandes interessados em ter três dias de evento, com treinos livres também às sextas-feiras, como salientou o diretor-técnico da Renault, Alan Permane.

"Em relação ao futuro, acho que há algumas coisas a se pensar. Primeiro, para os circuitos: eles gostam de ter três dias de evento e isso é importante. Para nós, honestamente, se todos tivermos o mesmo, não há muito com o que se preocupar. Isso favorece os melhores pilotos e as equipes que se preparam melhor. Não acho que muda muita coisa a não ser a questão dos pneus: quem os entende, e quem não."

Após o GP da Emilia Romagna, a temporada da Fórmula 1 terá ainda mais quatro corridas, mas nenhuma terá o mesmo formato. Ele só deverá voltar a ser usado mesmo no ano que vem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.