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Renault cresce perto de volta de Alonso. Mas até onde o time pode chegar?

Fernando Alonso em seu primeiro teste no retorno à Renault, em outubro, na Espanha - James Moy/Renault
Fernando Alonso em seu primeiro teste no retorno à Renault, em outubro, na Espanha Imagem: James Moy/Renault
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

18/10/2020 04h00

Faz pouco menos de um mês que Fernando Alonso começou a trabalhar oficialmente com a equipe Renault, pela qual fará seu retorno ao grid da Fórmula 1 em 2021, depois de ficar de fora por duas temporadas. E ele tem colocado a mão na massa, trabalhando no simulador e tendo feito um teste com o carro atual na Espanha na semana passada.

Nas pistas, o momento da Renault também é bom: na última etapa, o GP de Eifel, o time conquistou seu primeiro pódio desde que voltou como equipe à F1, em 2016. O último tinha sido em 2011 (de 2012 a 2015, a equipe estava nas mãos do fundo de investimento Genii e se chamava Lotus), pouco depois do fim da segunda passagem de Alonso pela equipe, entre 2008 e 2009. Foi o espanhol, inclusive, o último vencedor pela Renault, no GP do Japão de 2008. E também quem conquistou os dois títulos, em 2005 e 2006.

Todos na equipe francesa destacam o trabalho de Alonso que, como definiu o chefe Cyril Abiteboul, está "sentindo o cheiro de sangue". A comparação é com um tubarão, pronto para o ataque por sentir que a recompensa está próxima. Mas ele garante que resultados como o terceiro lugar de Daniel Ricciardo na corrida de Nurburgring não mudam muita coisa para ele. "Ainda sou o mesmo [depois do resultado]. Sei do que a equipe é capaz e sei que a expectativa é boa para o futuro. O pódio é algo que tinha de acontecer. O mais importante é seguir essa tendência agora, manter esse embalo ano que vem e especialmente em 2022, e acho que sabemos como fazer isso."

Alonso se refere à extensa mudança de regulamento técnico prevista para 2022, na qual a Renault pode dar o salto que falta para lutar com Red Bull e Mercedes, muito superiores em 2020.

Investimento forte desde 2016

Todo esse otimismo não é em vão. Quando a Renault reassumiu o controle da equipe em 2016, começou um trabalho de atualização de sua fábrica que o próprio Alonso reconheceu em sua primeira visita a Enstone depois de mais de 10 anos, no fim de setembro. "Muitas coisas são novas. O túnel de vento foi atualizado, o simulador é totalmente novo. Só a academia que frequentei tantas vezes que continua parecida".

Foi essa reestruturação - além de um dos salários mais altos do grid - que convenceu Ricciardo a deixar a Red Bull e se juntar ao time em 2019. Porém, os franceses não continuaram a crescente em que vinham (o time foi sexto em 2017, quarto em 2018 e caiu para quinto, bem atrás da McLaren, ano passado) e, antes mesmo de a temporada 2020 começar, Ricciardo demonstrou não acreditar no projeto e se acertou justamente com a McLaren, abrindo espaço para o retorno de Alonso. Porém, novas caras que chegaram ano passado, como Pat Fry (ex-Ferrari e McLaren) e o aerodinamicista Dirk de Beer, ainda não tinham tido impacto no time.

Essa pode ser a grande sorte que o piloto de 39 anos não teve outras vezes na carreira. Ele ficou famoso por tomar decisões erradas, indo para a Ferrari em 2010 quando o time já não era a equipe vencedora que foi entre 2000 e 2008, e depois para a McLaren, que viveu, com Alonso, sua pior fase da história, entre 2015 e 2018.

É por isso que o "tubarão" descrito por Abiteboul já está em ação. Alonso quis fazer o teste com o carro atual, mesmo com as restrições do regulamento (a sessão não podia ultrapassar 100km, o equivalente a um terço de um GP, e os pneus usados são diferentes dos utilizados nas corridas) para comprovar que está confortável com os pedais e seu assento. Afinal, a pré-temporada de 2021 deve ser mais curta que o normal e ele não quer perder tempo. Além disso, tem testado no simulador, algo de que nunca gostou por sentir náuseas, e está em constante contato com os pilotos titulares, especialmente seu futuro companheiro, Esteban Ocon.

É esperado que Alonso tenha outra experiência com o carro de 2020 da Renault - que será muito semelhante ao modelo de 2021, já que o regulamento se mantém estável - ironicamente no teste destinado a jovens pilotos em Abu Dhabi logo depois do final da temporada.

Com um piloto faminto como Alonso a bordo, uma fábrica modernizada e bons profissionais, a grande questão é se essa tendência de crescimento vista neste ano será suficiente para que o corpo técnico comandado por Fry acerte a mão no regulamento de 2022. Mesmo andando perto da região do pódio especialmente do final de agosto para cá, a Renault ainda é cerca de 1s por volta mais lenta que a Mercedes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.