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Lewis Hamilton tentará igualar Schumacher em uma de suas "piores" pistas

Foi em Sochi que Hamilton superou as 41 vitórias de Ayrton Senna, em 2015 - AFP PHOTO / ANDREJ ISAKOVIC
Foi em Sochi que Hamilton superou as 41 vitórias de Ayrton Senna, em 2015 Imagem: AFP PHOTO / ANDREJ ISAKOVIC
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

23/09/2020 04h00

Lewis Hamilton terá sua primeira chance de igualar as 91 vitórias de Michael Schumacher neste final de semana, no GP da Rússia. Mas, embora o inglês tenha conquistado quatro vitórias em Sochi em seis provas realizadas por lá, a pista está longe de ser uma de suas favoritas. Na verdade, trata-se de um dos circuitos em que é seu companheiro, Valtteri Bottas, quem costuma ter um bom desempenho.

Mas então por que Hamilton ganhou tanto em Sochi? Um misto de sorte com uma pitada de ordens de equipe explica os números inflados.

A única vez que ele ganhou largando da pole position foi em 2014, no primeiro ano do GP da Rússia e também na primeira temporada de domínio da Mercedes. O único piloto que tinha carro para batê-lo, seu companheiro Nico Rosberg, errou na freada na tentativa de passar Hamilton na primeira volta, teve de trocar os pneus e, ainda assim, chegou em segundo.

No ano seguinte, Hamilton mais uma vez deu sorte: Rosberg tinha sido superior por todo o final de semana e largava na pole, mas teve uma quebra na sétima volta e deixou o caminho livre para o companheiro.

Se, quando estava ao lado de Rosberg, Hamilton não teve grandes atuações na Rússia, mas contou com um erro e uma quebra do alemão, com Bottas ele teve mais dificuldades em termos de performance, admitindo que "provavelmente é o melhor circuito do ano para ele."

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Lewis Hamilton e Valtteri Bottas no pódio do GP da Rússia em 2018: "climão" por jogo de equipe
Imagem: Sergei Grits/AP

Em 2017, ele não passou do quarto lugar, e venceria de forma controversa no ano seguinte. Hamilton foi batido por Valtteri Bottas na classificação, mas a Mercedes decidiu ordenar a inversão de posições na corrida, entendendo que os pontos poderiam ser importantes para Hamilton no campeonato. De fato, a Ferrari tinha começado a crescer em 2017 e até a metade do ano Sebastian Vettel e Hamilton estavam bem próximos um ao outro no campeonato. Mas a Mercedes tinha melhorado seu carro em um ritmo mais rápido que a Ferrari ao longo do ano e a vantagem do inglês após aquela corrida chegou a 50 pontos. Por conta disso, a decisão da Mercedes foi muito criticada na época e até mesmo Hamilton disse que não se sentia muito bem em vencer daquela forma. "É um dia muito difícil porque Valtteri fez um trabalho fantástico por todo o final de semana e foi um cavalheiro ao deixar que eu passasse. Posso entender o quão difícil foi para Valtteri porque ele merecia vencer hoje."

A última vitória de Hamilton em Sochi foi ano passado. A Ferrari tinha o melhor carro naquela prova e, em condições normais, a Mercedes não tinha grandes chances. Mas Vettel e Charles Leclerc começaram a brigar entre si na pista e a Scuderia decidiu chamar o monegasco, que largara na pole, mais cedo que o previsto para o pit stop. Quando a outra Ferrari parou no meio da pista com problemas na unidade de potência e causou um Safety Car, isso entregou a corrida de bandeja para Hamilton, que ainda não tinha parado.

Na corrida deste domingo, o hexacampeão e líder disparado do campeonato tem a motivação extra de chegar a uma marca que ele mesmo admitiu que "jamais ter pensado que seria batida". Por um lado, ele vem sofrendo para superar Bottas em classificações neste ano, com a diferença entre os dois tendo sido por várias vezes menor que um décimo. Por outro, suas largadas e ritmo de corrida são superiores. Veremos se isso se repete em uma pista em que Bottas costuma andar mais forte.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.