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Dá para a Ferrari espantar a má fase já em 2021 ou só com novas regras?

Sebastian Vettel escapa da pista após uma falha nos freios de sua Ferrari em Monza - Florent Gooden/DPPI/FIA Pool
Sebastian Vettel escapa da pista após uma falha nos freios de sua Ferrari em Monza Imagem: Florent Gooden/DPPI/FIA Pool

Colunista do UOL

22/09/2020 04h00

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A Ferrari passa por um momento complicado em 2020, com cinco pontos marcados nas três últimas corridas. Para piorar, o chefe Mattia Binotto afirmou que, embora o time tenha novas peças programadas para a próxima corrida, que será disputada já neste final de semana, na Rússia, os torcedores ferraristas não devem esperar muito: "As atualizações são pequenas não vão mudar o cenário." Mas até quando vai durar o desempenho pífio dos carros vermelhos?

As previsões mais otimistas dão conta de que será possível tirar parte da diferença ano que vem. Pelas mais pessimistas, a má fase pode durar anos, mesmo depois da grande mudança de regulamento de 2022, que promete mexer com a relação de forças no grid.

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Charles Leclerc, da Ferrari, briga no meio do pelotão durante o GP da Itália
Imagem: Miguel Medina/FIA Pool

Por ora, a Ferrari até foi ajudada de certa forma com uma mudança no regulamento que impede que as configurações de motores sejam alteradas durante o final de semana. Na prática, isso significa que os motores seguem com o mesmo nível de potência vindo do motor de combustão por toda a classificação, o que é bom para os italianos porque, neste ano, eles não possuíam um modo mais potente.

Isso tem a ver com o resultado de um acordo sigiloso entre a Ferrari e a FIA divulgado no início de 2020 a respeito da unidade de potência dos italianos, que era alvo de suspeitas dos rivais há mais de um ano. Desde então, o motor, que era o melhor do grid, tornou-se o pior, deixando claro que ele estava fora do regulamento.

Carro projetado para ter motor potente

Mas o carro deste ano já tinha sido desenvolvido, e foi pensado justamente para ter um motor muito mais potente. Então, a opção dos projetistas foi aceitar que o carro gerasse mais arrasto nas retas, levando em consideração que isso seria compensado com a potência, para ser veloz também nas curvas. O resultado foi um carro que perde, de fato, muito menos nas curvas do que nas retas, mas que é tão lento nas retas que um fator acaba não compensando o outro. "Acho que, no momento, nos falta ritmo na corrida, e estamos desgastando muito os pneus. As novidades da Rússia não vão resolver isso. Precisamos rever os projetos, pensando em 2021. E isso vai levar tempo", disse Binotto.

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Charles Leclerc é observado pelo chefe Mattia Binotto ao sair dos boxes com a Ferrari
Imagem: Colombo Images/FIA Pool

O CEO da Ferrari, Louis Camilleri, completou: "Estou esperando que as regras do ano que vem sejam um pouco mais flexíveis para que possamos dar um passo. Mas nossa esperança é usar as regras de 2022 para lutar com a Mercedes."

Embora os chassis estejam congelados, evoluções aerodinâmicas são liberadas, mas até agora vimos menos mudanças do que seria o normal depois de nove etapas justamente pelo calendário apertado (foram 9 GPs em 11 finais de semana, algo sem precedentes na F1). A partir de agora, a sequência de provas é mais "normal", com três provas com uma folga de 10 dias entre si, uma dobradinha (duas provas em finais de semana seguidos) e uma sequência de três corridas no final. Como as regras ficarão relativamente estáveis em 2021, a tendência é que as equipes sigam desenvolvendo seus carros até a última corrida.

Mudanças já em 2021?

Além disso, as regras de 2021 não estão 100% fechadas ainda, e é por isso de Camilleri fala na esperança de que elas possam jogar a favor da Ferrari. E isso faz sentido: o que não está decidido é o conjunto de mudanças que visa diminuir a pressão aerodinâmica dos carros e, assim, evitar problemas com os pneus. Isso porque já está acertado que a Pirelli vai manter os mesmos pneus deste ano (que, por sua vez, já são os mesmos de 2019). E a avaliação é de que, se os carros continuarem se desenvolvendo, problemas como os estouros que aconteceram em algumas provas podem se tornar comuns.

Como falta pressão aerodinâmica para a Ferrari em relação aos rivais, caso essas mudanças sejam efetivas, existe a chance de o time diminuir a diferença. No entanto, o déficit de potência, que é calculado entre 50 e 70 cavalos no momento, algo muito significativo para a F1, é quase impossível de ser tirado para 2021, e até mesmo além disso.

Isso porque, de 2020 até 2023, só será possível fazer uma alteração em cada um dos componentes da unidade de potência, incluindo o combustível. Isso tem de ser feito respeitando as limitações do uso de dinamômetro, o banco de provas dos motores. Então a Ferrari tem que ser bastante precisa em suas mudanças para recuperar o terreno perdido.

Isso explica as diferenças de expectativa: por um lado, com as mudanças permitidas no motor e no carro, é possível que a Ferrari avance já em 2021. Porém, se a Scuderia não aproveitar as poucas oportunidades, a má fase pode se estender por muito mais tempo.