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Vitória de Gasly vem após "18 meses malucos" e traz problema para Red Bull

Francês Gasly comemora com a equipe AlphaTauri vitória no GP da Itália de F1 - Mark Thompson/Getty Images
Francês Gasly comemora com a equipe AlphaTauri vitória no GP da Itália de F1 Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

06/09/2020 13h38

A vitória de Pierre Gasly com a AlphaTauri no GP da Itália é mais um capítulo em uma carreira que está sendo marcadas pelos altos e baixos especialmente nos últimos 18 meses, como o francês de 24 anos. Gasly começou a temporada 2019 tendo a grande chance de sua carreira, correndo ao lado de Max Verstappen na Red Bull. Mas ele foi rebaixado no meio da temporada devido à falta de resultados e, dali em diante, vem virando o jogo e chamando a atenção correndo por uma das equipes com menor orçamento na categoria.

"Estou com dificuldade de compreender o que está acontecendo. Os últimos 18 meses malucos com altos e baixos! E agora sou o vencedor do GP da Itália? só queria agradecer a todos que tornaram isso possível. Desde o ano passado, estou focado só em mim mesmo, melhorando dia após dia, e ver isso acontece na Itália, correndo por um time italiano (e por mim também, já que agora moro a 30km da pista), sinto como se estivesse em casa. Eu deveria ter mudado para Milão antes!", brincou Gasly. "Não tenho palavras para descrever a sensação ao cruzar a linha. Não sei o que dizer, é uma sensação incrível!"

É justamente porque muitos julgaram que a carreira de Gasly estava acabada há 12 meses que a vitória tem um sabor especial. Quando ele foi rebaixado da Red Bull para a então Toro Rosso, que mudou o nome nesta temporada, a avaliação de Helmut Marko, consultor do time, era de que ele não estava totalmente focado. Esse tipo de movimento de pilotos já tinha acontecido na Red Bull, com Daniil Kvyat perdendo a vaga para Max Verstappen em 2016, e o russo nunca mais teve um desempenho parecido com aquele que o levou para o time principal.

Com Gasly, foi diferente. Seu desempenho na segunda metade da temporada de 2019 já foi muito melhor do que na primeira, e o inesperado pódio no GP Brasil, com direito a disputa roda a roda com Lewis Hamilton nos metros finais, foi a cereja do bolo para um ano em que ele também sofreu com a perda de um amigo de infância, com quem ele morou por seis anos, Anthoine Hubert, vítima fatal de um acidente na Fórmula 2 na Bélgica.

Nesta temporada, ele vinha mostrando que o que aconteceu na segunda parte de 2019 não foi só uma boa fase. Batendo o companheiro Kvyat consistentemente nas classificações (só perdeu uma no ano, na Bélgica), vinha respondendo por quase todos os 20 pontos da Alpha Tauri no campeonato (o russo chegou a Monza com apenas dois) até largar em décimo no GP da Itália.

Na corrida, contou com a sorte, parando para trocar os pneus uma volta antes de a corrida ser interrompida primeiro pelo Safety Car, e depois com uma bandeira vermelha. Naquele momento, estava em terceiro, atrás de Lewis Hamilton, que já sabia que seria punido por ter trocado os pneus com a zona de boxes fechada (medida de segurança tomada porque Kevin Magnussen tinha estacionado sua Haas perto da entrada dos boxes e havia fiscais de pista no local), e Lance Stroll, que não tinha parado no Safety Car e tinha dado sorte pois, sob bandeira vermelha, pôde trocar pneus.

Mas a sorte de Gasly foi maior ainda: Stroll derrapou na nova largada, e o francês se viu na liderança depois que Hamilton pagou sua punição. Como as lentas Alfa Romeo também tinham antecipado suas paradas, isso atrasou os possíveis rivais de Gasly, que conseguiu abrir o suficiente na frente para que Carlos Sainz só conseguisse atacá-lo na volta final.

Como na briga com Hamilton em Interlagos, Gasly mostrou calma, não cometeu erros, e fez o hino francês voltar a ser tocado na F1 por uma vitória de um piloto pela primeira vez em 24 anos. "Quando Pierre voltou para a equipe ano passado, fiquei muito feliz", revelou o chefe Franz Tost. Ano passado ele já tinha ido muito bem naquela briga com Hamilton. E hoje ele pilotou muito bem, desde a largada. Quando Hamilton teve que cumprir a punição, ele aproveitou o fato de estar com ar livre para aumentar a diferença. E, quando Sainz chegou, ele imediatamente apertou o ritmo no segundo setor como que diz 'estou aqui, hein!'. Foi muito bom."

Mas e agora? Ao mesmo tempo em que Gasly brilhou, seu substituto na Red Bull, Alex Albon teve uma corrida péssima, largando mal e depois sendo punido por um toque com Romain Grosjean. Albon tem o apoio dos donos tailandeses da Red Bull e de Marko. Mas uma vitória em Monza com uma equipe do tamanho da AlphaTauri não dá para ignorar.