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Vettel não está nem um pouco confortável na Ferrari, avalia Alain Prost

Alain Prost, dirigente da Renault e tetracampeão da Fórmula 1 - XPB / James Moy
Alain Prost, dirigente da Renault e tetracampeão da Fórmula 1 Imagem: XPB / James Moy
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

10/08/2020 04h00

Após cinco corridas disputadas na temporada da Fórmula 1, Sebastian Vettel é o 13º no campeonato, com apenas 10 pontos. E pior: o tetracampeão diz não ter respostas para seu fraco desempenho e demonstra não confiar na sua própria equipe, a Ferrari. É uma situação que outro tetracampeão, Alain Prost, também viveu na Scuderia na temporada 1991, logo depois de ter lutado pelo título com Ayrton Senna no ano anterior até o final. Depois de criticar duramente a equipe, Prost acabou sendo demitido antes da última corrida da temporada.

"Você imagina a pressão em cima dele?", questionou Prost, hoje dirigente na Renault. "É algo que vem do ano passado, mas piorou quando ele ficou sabendo que não teria o contrato renovado, e as pessoas falam muitas coisas na imprensa também. Não é uma situação boa. Eu nunca estive exatamente nesta situação, mas estive próximo disso: não há fácil quando a pressão vem de todos lugares, da equipe, dos fãs, da mídia. Não é simples lidar com isso", continuou.

"Dá para ver que a situação dentro de um time pode mudar muito rapidamente. Depende da pressão interna e externa também. É um pouco triste porque eu adoro Sebastian como pessoa. Ele é meio frágil de certa forma porque é bastante humano e imagino que ele se sinta muito mal às vezes. Ele é apaixonado pelo automobilismo e é triste vê-lo assim: ele não está confortável com o carro. Se um piloto de Fórmula 1 não está com a cabeça 100%, é muito difícil encontrar aqueles últimos décimos. E ele não está nem um pouco confortável."

O que há de errado com Vettel?

A situação de Vettel na Ferrari foi se degringolando aos poucos. Desde o ano passado, o tetracampeão reclama que não confia o suficiente na traseira do carro e pede que ela seja mais "colada" no chão, mais estável. A Ferrari até conseguiu melhorar esse comportamento do carro ao longo da temporada passada, mas a falta geral de pressão aerodinâmica no modelo deste ano fez o time perder tudo o que tinha evoluído. Para piorar, como o motor é muito menos potente que o dos rivais depois que a FIA encontrou irregularidades no equipamento do ano passado, a equipe se vê obrigada a usar uma configuração aerodinâmica que busca compensar a perda nas retas. E, com isso, o carro fica ainda mais "nervoso" nas curvas.

Ainda assim, Vettel demonstra não acreditar que as explicações parem por aí. Ele deu a entender que não crê ter o mesmo equipamento que o companheiro Charles Leclerc, que estreou ano passado na Scuderia, ficou à frente de Vettel e logo se tornou o líder da equipe. "Minha intuição me diz uma coisa e meu cérebro me diz outra", disse ele, quando perguntado se achava que o equipamento era o mesmo. "Só sei que nós corremos duas vezes na mesma pista [referindo-se às duas últimas corridas, em Silverstone] e meu carro parou de evoluir no sábado de manhã da primeira corrida. E eu não consigo encontrar respostas para isso."

Para Prost, isso é sinal de que Vettel e a Ferrari já não caminham na mesma direção.

"Quando você é competitivo, você tem de seguir uma determinada linha. Você segue essa linha com seu engenheiro, com a equipe, e todos têm de ir na mesma direção. E, no momento, claramente essas mensagens que estamos vendo não são boas."

Vettel ainda não tem seu futuro definido. Ele negocia com a Racing Point, que se tornará Aston Martin no ano que vem, mas também não descarta a aposentadoria da F1.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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