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Leclerc critica "manchetes que me fazem soar racista" por postura em ato

Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

06/08/2020 14h18

Charles Leclerc demonstrou irritação com a maneira como uma entrevista concedida ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport foi interpretada em outros meios de comunicação nesta semana. O monegasco disse que prefere não se ajoelhar durante os protestos antirracistas que a Fórmula 1 tem feito antes das corridas porque não quer se associar a movimentos políticos. Usando suas mídias sociais nesta quinta-feira, o piloto da Ferrari pediu que as pessoas parem de colocá-lo "no mesmo grupo destas pessoas nojentas que estão discriminando outras por conta de sua cor de pele, religião ou gênero. Não faço parte deste grupo e nunca farei. Sempre fui respeitoso com todos e isso deveria ser o padrão."

Leclerc disse ainda que "é muito triste ver algumas pessoas manipulando minhas palavras para fazer manchetes que fazem com que eu soe racista. E para quem quer usar minha imagem para promover ideias erradas, por favor pare. Não me envolvo em política e não quero me envolver nisso."

Mais tarde, uma seguidora de Leclerc disse acreditar que o que ele estava tentando dizer era que "ele não quer que sua imagem seja usada por político, e não que o BLM é um movimento político", ao que o piloto respondeu com um obrigado, com letras maiúsculas.

Leclerc não apontou exatamente a qual publicação se referia, uma vez que sua entrevista, originalmente em italiano, foi traduzida em diversas línguas. O mais provável é que ele se refira ao site holandês GPFans, cuja manchete era "Não vou me ajoelhar por conta do caráter violento" e dizia que o piloto ferrarista "se recusa a ajoelhar-se no grid da F1 por conta da politização de questões raciais e da relação do [movimento Black Lives Matter] à violência."

Na entrevista à Gazzetta, ele disse que é "contra o racismo, luto contra ele e estou feliz que a F1 use sua plataforma para mostrar ao mundo qual é o caminho correto."

Como pano de fundo para as declarações, Leclerc estaria se vendo sendo usado por grupos na Itália e na Alemanha que são contra o BLM por considerarem o movimento marxista. E não ajoelhar-se seria um símbolo de resistência a esta conotação política do movimento.

Ele disse que prefere manifestar-se em pé, assim como o holandês Max Verstappen, Kevin Magnussen, Kimi Raikkonen, Antonio Giovinazzi e Daniil Kvyat. "Não gosto que um protesto civil seja utilizado pela política. Coloquei a camiseta e fiquei com os outros pilotos. Não queria fazer isso [referindo-se a ajoelhar-se] porque muitos protestos que aconteceram ao redor do mundo foram associados a casos de violência e não aceito nenhuma forma de violência."

Os protestos da Fórmula 1 não têm ligação com o movimento BLM, embora Lewis Hamilton opte por usar uma camiseta com os dizeres "Black Lives Matter". Ele explicou que não se trata de uma ação política de sua parte, mas sim para chamar a atenção para o que originou os protestos e o que está em sua essência.

Os protestos em si da Fórmula 1 acabaram sendo mais incisivos por conta da onda de manifestações que começou em junho nos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo. Mas a iniciativa We Race As One, que busca compreender formas de promover uma maior diversidade dentro do esporte já estava sendo estudada desde o ano passado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.