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Futuro do GP Brasil segue em aberto após cancelamento de etapa de 2020

Felipe Massa deixa a pista do circuito de Interlagos com a bandeira do Brasil após acidente no GP do Brasil de 2016 - AP Photo/Leo Correa
Felipe Massa deixa a pista do circuito de Interlagos com a bandeira do Brasil após acidente no GP do Brasil de 2016 Imagem: AP Photo/Leo Correa
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

24/07/2020 10h50

A Fórmula 1 confirmou que o GP Brasil de 2020 foi cancelado devido à pandemia do coronavírus, mas ainda não há confirmação sobre o que vai acontecer a partir do ano que vem com a etapa brasileira. Representantes de Interlagos e os promotores que tentam levar a prova para o Rio de Janeiro, em um circuito que ainda não começou a ser construído, na região de Deodoro, negociam, há meses, o direito de continuar recebendo a categoria.

Esta coluna apurou que a alegação da Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da F1, para cancelar o GP do Brasil desde ano foi "por ato de força maior", ou seja, caso isso seja confirmado, o último ano de contrato com São Paulo não teria de ser honrado. Em outras pistas que receberam ou vão receber a F1 sem contar com público - e, com isso, sem o pagamento da taxa de promoção da prova, como Hungria e Bélgica - os acordos atuais foram automaticamente renovados por mais um ano.

Isso leva a crer que o GP Brasil, de 2021 em diante, só vai acontecer com a assinatura de um novo contrato. As negociações para a renovação do já se estendem há mais de um ano, depois que o Rio de Janeiro apresentou sua proposta para receber a prova por dez anos, em maio de 2019. De lá para cá, São Paulo também apresentou sua proposta, e nas últimas semanas o próprio governo do Estado tomou a dianteira nas negociações pelo lado de Interlagos.

O governador João Doria Jr. considera importante politicamente manter a prova em São Paulo, além de não querer perder, assim como o prefeito Bruno Covas, um evento que gera retorno de cerca de R$ 300 milhões por ano à capital.

Em contrato feito ainda na época em que Bernie Ecclestone comandava os direitos comerciais da categoria, o Brasil não paga a taxa geralmente cobrada dos promotores para receber a corrida, que gira em torno de US$ 25 milhões, mas costuma ser mais alta para provas fora da Europa. A proposta do Rio de Janeiro é de 35 milhões ao ano, com dinheiro vindo da incentivos fiscais do governo, e divisão nos lucros com os ingressos VIP, fazendo com que a quantia possa ultrapassar os 65 milhões de dólares.

Além da mudança de comando, outro fator que se alterou desde o último contrato da F1 com o GP Brasil é o comprometimento de neutralizar o carbono produzido pela categoria, que inclusive tem feito com que a Liberty Media busque realizar provas próximas geograficamente umas das outras a partir de 2021. Por conta disso, uma viagem ao Brasil, ainda que o país tenha 20% da audiência mundial da categoria, dificilmente se justificaria com o pagamento de uma taxa barata para a realização da prova.

O entrave para o Rio de Janeiro é o fato de os organizadores ainda não terem conseguido obter a licença para ambiental para tocar sua pista, prevista para durar 14 meses, prazo bem mais curto do que o normalmente dado para se construir pistas ao redor do mundo, uma vez que toda a estrutura será pré-moldada. Ainda assim, como há meses a questão da licença ambiental se arrasta no judiciário carioca, não há uma previsão de início das obras. O projeto está orçado em 700 milhões de reais, dinheiro que viria da iniciativa privada.

Histórico de emoção em Interlagos

Em 37 edições da prova realizadas em São Paulo —outros dez GPs do Brasil foram disputado no circuito de Jacarepaguá—, Interlagos foi o palco de seis decisões de mundiais nos 70 anos de história da F1, perdendo apenas para Suzuka e Monza, que tiveram 11 disputas pelo título na pista.

Por sete vezes, o circuito viu um brasileiro subir ao lugar mais alto do pódio. Foram quatro em sua retomada, com Ayrton Senna em 1991 e 1993 e Felipe Massa em 2006 e 2008. Nos anos 70, Emerson Fittipaldi (1973 e 74) e José Carlos Pace (1975) emendaram uma sequência de três triunfos. Nelson Piquet também triunfou por lá em 1983.

Massa, inclusive, chegou muito perto de se sagrar campeão em Interlagos, mas o título de 2008 ficou com Lewis Hamilton após uma ultrapassagem feita na última curva da última volta. O inglês bateu o brasileiro por um ponto.

Outras decisões em Interlagos deram os dois títulos a Fernando Alonso, em 2005 e 2006, os único campeonatos conquistados por Kimi Raikkonen, em 2007, e Jenson Button, em 2009, além do tricampeonato de Sebastian Vettel, em 2012.

Mesmo nos últimos anos, em que Lewis Hamilton conquistou títulos por antecipação, o GP do Brasil foi movimentado e teve momentos emocionantes, como a despedida de Felipe Massa em 2017, a grande performance de Max Verstappen em 2018 e o final eletrizante de 2019, em corrida que contou com pódio da Toro Rosso e da McLaren.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do informado anteriormente, o último GP do Brasil de Felipe Massa foi em 2017, pela Williams.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.