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Pódio na estreia não empolga Ferrari: time precisa recuperar 1s por volta

Charles Leclerc nos boxes da Ferrari na Áustria - Peter Fox/Getty Images
Charles Leclerc nos boxes da Ferrari na Áustria Imagem: Peter Fox/Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

06/07/2020 08h52

A Ferrari começou a temporada da Fórmula 1 com um segundo lugar com Charles Leclerc, mas não vê muitos motivos para comemorar: o monegasco acabou aproveitando a oportunidade dada pela corrida com mais abandonos em mais de cinco anos na categoria, e a Scuderia sabe que, em condições normais, no máximo lutaria por um top 5. Os cálculos ferraristas apontam que o carro está perdendo 1s em relação à Mercedes, e grande parte dessa diferença vem nas retas, justamente em um ano em que o desenvolvimento de motores está congelado. Para piorar, Sebastian Vettel disse não ter confiança no carro. O alemão fez uma corrida apagada e terminou em décimo. Só 11 pilotos completaram a prova.

"Acho que o que vimos na Áustria foi similar à pré-temporada em Barcelona, precisamos melhorar o carro pois há problemas de correlação de dados entre o desenho, especialmente no lado aerodinâmico, e é por isso que mudamos o projeto. Tomara que possamos implementar essas mudanças logo. Não será a solução final, mas é importante para nós melhorar o comportamento do carro", disse o chefe da equipe, Mattia Binotto, referindo-se ao pacote de mudanças previsto para a terceira etapa, na Hungria.

Binotto explicou que o 1s que a Ferrari ficou devendo para a Mercedes na classificação vêm prioritariamente da falta de rendimento nas retas, o que tem a ver com o motor, que teve de ser alterado a pedido da FIA no final do ano passado, e também ao fato do carro ter muito arrasto, ou seja, oferecer muita resistência ao ar. "Três décimos vêm nas curvas, mas ainda há sete décimos perdidos nas retas, e acho que isso será muito difícil [de tirar] porque o desenvolvimento do motor está congelado, e também temos um problema de arrasto que não será melhorado logo. Foi desapontador ver nossa velocidade de reta, mas vamos analisar os dados e ver o que fazer no futuro.

Além disso, Sebastian Vettel apontou que o comportamento do carro mudou muito ao longo do final de semana. Durante a corrida, era clara a dificuldade que ele tinha ao volante. Vettel se classificou em 11º e terminou em penúltimo. "Obviamente não tive a melhor das corridas. Não tinha confiança no carro, e é bom ter outra corrida semana que vem para tentar confirmar se é assim que o carro se comporta normalmente. Estava bem feliz na pré-temporada, já que o carro parecia melhor nas curvas, e o equilíbrio estava bom na primeira parte do fim de semana. Depois, ele piorou para mim, então é um ponto de interrogação agora e precisamos entender se algo deu errado. Não tinha confiança no carro para ter consistência em termos de voltas e também de ritmo."

Além do comportamento do carro em si, o diretor técnico da F1, Ross Brawn, lembrou que Vettel não vive o melhor de seus momentos dentro da Ferrari. "Foi um começo difícil para Sebastian na última temporada dele com a equipe. Tudo deve estar girando na cabeça dele, depois que ele descobriu que a Ferrari não queria renovar seu contrato. Às vezes, as coisas que desestabilizam um piloto são bem sutis. Sebastian pareceu estar surpreso e chocado pelo que aconteceu e isso deve ser uma distração, e isso é compreensível."

Mesmo Leclerc, que foi segundo, chamou a atenção para a falta de desempenho do carro. Ele largou em sétimo e ultrapassou, na pista, Lando Norris e Sergio Perez. E herdou as posições de Lewis Hamilton (penalizado) e das duas Red Bull, que quebraram. "É um grande resultado mas, realisticamente, não temos o ritmo que queríamos. Ainda temos muito trabalho pela frente."

O único ponto positivo da primeira etapa do ano foi o fato dos dois carros terem terminado - e os outros carros que usam motor Ferrari abandonaram por problemas de freios (no caso da Haas) e por uma roda que não foi bem afixada durante um pit stop (na Alfa Romeo). Binotto lembrou que a Ferrari trabalhou muito para tornar seu equipamento mais confiável, então este é um alento e pode ser positivo neste início de temporada caso essa tendência de muitas quebras se repita neste final de semana, quando a F1 corre novamente no circuito de Red Bull Ring.

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