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Há 30 anos, Brasil assistia à última dobradinha com Piquet e Senna na F1

Senna e Piquet celebram no pódio do GP do Canadá sua última dobradinha - Arquivo
Senna e Piquet celebram no pódio do GP do Canadá sua última dobradinha Imagem: Arquivo
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

10/06/2020 04h00

A última dobradinha envolvendo Ayrton Senna e Nelson Piquet na Fórmula 1 faz 30 anos nesta quarta-feira. Ela aconteceu no GP do Canadá de 1990, em prova dominada por Senna do começo ao fim, e que marcou a volta de Piquet ao pódio depois de mais de um ano.

Ela não seria, contudo, a última dobradinha do Brasil na categoria: ela aconteceria poucos meses depois, no GP do Japão, quando Piquet venceu e seu companheiro de Benetton, Roberto Pupo Moreno, foi o segundo. Foi um resultado surpreendente, mas até relativamente pouco lembrado. Afinal, o GP do Japão de 1990 ficou marcado pelo revide de Senna em cima do rival Alain Prost após a corrida do ano anterior em Suzuka e a controversa conquista do bicampeonato.

Em junho de 1990, a impressão era de que o brasileiro chegaria facilmente ao bi: depois de vencer em Mônaco, Senna chegou ao GP do Canadá como favorito, já que sua McLaren parecia mais bem adaptada ao circuito Gilles Villeneuve que a Ferrari de Prost. A pole foi apertada - apenas 66 milésimos de vantagem para Gerhard Berger - mas a McLaren garantiu a primeira fila. Prost largou em terceiro e Piquet colocou a Benetton em quinto no grid.

Berger queimou a largada e, por conta do regulamento da época, teve um minuto agregado a seu tempo total, mas continuou normalmente na prova. Senna, então, deixou o companheiro passar para que ele adotasse o melhor ritmo possível e tentasse melhorar sua posição final. Ou seja, foi uma corrida em que Senna liderou de ponta a ponta na soma dos tempos, mas não na pista.

A chuva que caiu antes da largada ajudou a movimentar a corrida, pois os pilotos largaram com pneu de pista molhada e logo tiveram de trocar, ainda que o asfalto não estivesse 100% seco. Uma das vítimas foi Alessandro Nannini, que tinha largado em quarto.

Isso abriu o caminho para Piquet se colocar em uma briga com as Ferrari de Prost, terceiro na pista e segundo de fato, e Mansell, que vinha logo atrás. Era difícil ultrapassar porque, fora do trilho, o asfalto ainda está úmido. Foram várias voltas de briga até que Piquet mergulhou no hairpin e passou Prost na volta 49 de 70. Logo depois, Mansell também passou seu companheiro e terminou em terceiro.

Piquet ganhou mais dobradinhas que Senna

No total, o Brasil teve 11 dobradinhas na Fórmula 1, mesmo número da França, em estatística que é liderada pelo Reino Unido, com 43. E oito destas dobradinhas verde-amarelas foram protagonizadas pelos dois tricampeões, com vantagem para Piquet: o piloto venceu o GP do Brasil de 86, com Senna em segundo, resultado que se repetiu nos GPs da Alemanha e Hungria do mesmo ano (após ultrapassagem que ficou famosa na disputa entre os brasileiros), e por outras duas oportunidades em 1987, novamente na Hungria e também na Itália.

Já Senna comandou dobradinhas brasileiras em 1987, em Mônaco e nos Estados Unidos, e pela última vez justamente no Canadá em 1990.

Nos anos 70, Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace também protagonizaram duas dobradinhas brasileiras, a primeira delas, inclusive, no GP Brasil de 1975.

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