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Renault decide permanecer na F1 mesmo após anunciar corte bilionário

Formula 1 Renault Enstone - Divulgação
Formula 1 Renault Enstone Imagem: Divulgação
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

29/05/2020 06h34

A Renault anunciou que segue comprometida com a Fórmula 1 mesmo depois de revelar um plano para cortar 2 bilhões de euros (mais de 12 bilhões de reais) nos próximos três anos e 15.000 empregos globalmente. A montadora francesa enfrenta uma grave crise. A decisão é um alento para o mundo da F1 depois que a Williams divulgou também nesta sexta-feira que o time está formalmente à venda.

Em anúncio feito nesta sexta-feira, a CEO interina da Renault, Clotilde Delbos, reafirmou que o projeto da Fórmula 1 não será afetado pelos cortes. "Já dissemos isso publicamente e podemos confirmar nossa intenção de continuar na F1. As notícias a respeito das novas regras e o teto orçamentário são muito boas para nós, já que nós investimos menos nesta área que alguns de nossos rivais, que estavam gastando muito dinheiro. Então continuaremos na F1."

Delbos refere-se a Mercedes, Ferrari e Red Bull-Honda, cujos orçamentos superaram os 400 milhões de dólares nos últimos anos, enquanto a Renault, que voltou, em 2016, a ter controle da equipe com a qual foi bicampeã em 2005 e 2006, vem gastando entre 250 e 300 milhões de dólares por ano.

Além disso, um conjunto de medidas aprovado pela Fórmula 1 nesta semana melhora a posição da Renault no campeonato: como citado por Delbos, a categoria vai adotar um teto orçamentário. Cada equipe poderá gastar 145 milhões de dólares em 2021, 140 milhões em 2022 e 135 de 2023 a 2025. Há algumas exceções que não têm a ver diretamente com performance, como os gastos com marketing, salários dos pilotos e dos três funcionários mais bem pagos, além de algumas taxas. São itens que variam muito de equipe para equipe mas, entre os grandes, calcula-se que os gastos reais fiquem em torno dos 250 milhões. Ou seja, ao contrário dos rivais, a Renault não terá de fazer tantas adaptações em seu modelo de negócio.

Em relação às regras técnicas, as novidades da F1 podem ajudar o time a diminuir a diferença de performance que tem hoje para as equipes que lutam por vitórias: a Renault foi a quinta colocada ano passado e ainda não venceu desde seu retorno ao esporte. Também a partir de 2021, o desenvolvimento aerodinâmico será limitado de acordo com a posição de cada equipe no campeonato. Ou seja, quem tiver mais sucesso em uma temporada, terá direito a menos tempo de desenvolvimento de seus carros no ano seguinte. A ideia é deixar o campeonato mais competitivo.

Por conta destas mudanças, mesmo que a F1 deva ser fortemente atingida pelo coronavírus, pois sua receita depende diretamente do número de corridas realizadas, a avaliação da Renault é de que um compromisso a médio prazo com a categoria vale a pena. A F1 voltará às pistas com duas corridas na Áustria, nos dias 5 e 12 de julho, mas o calendário final ainda não foi definido. A tentativa é fazer de 15 a 18 provas. O calendário original tinha 22 GPs pela primeira vez em 70 anos de história.

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