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Crise na Renault pode azedar volta de Alonso para a Fórmula 1 em 2021

Fernando Alonso teve duas passagens pela Renault, sendo a última entre 2008 e 2009 - Martin Rickett/PA Images via Getty Images
Fernando Alonso teve duas passagens pela Renault, sendo a última entre 2008 e 2009 Imagem: Martin Rickett/PA Images via Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

26/05/2020 04h00

O plano de Fernando Alonso de voltar ao grid da Fórmula 1 em 2021 pode ser atrapalhado por um obstáculo importante: uma série de acontecimentos, agravados pela pandemia do coronavírus, atingiram em cheio a Renault, a ponto do ministro das finanças da França admitir que a montadora, que é parcialmente estatal, "poderia desaparecer" devido à crise.

Como não foi assinado um contrato entre as equipes e a Fórmula 1 para garantir a continuidade de todos no campeonato a partir do ano que vem e o time da Renault na categoria recebe uma parte de seu orçamento diretamente da montadora, a crise poderia, inclusive, tirar os franceses do campeonato.

Mesmo se a equipe continuar, seria difícil para o time justificar a contratação de um piloto com o nível salarial de Alonso. O espanhol deixou a F1 no final de 2018 recebendo na casa de 30 milhões de dólares por ano na McLaren.

Carlos Ghosn durante coletiva no Líbano - Joseph Eid/AFP - Joseph Eid/AFP
Ghosn responde jornalistas durante coletiva realizada em Beirute
Imagem: Joseph Eid/AFP

As especulações sobre a possibilidade da Renault deixar a Fórmula 1 não vêm de hoje. A situação da montadora já não era das melhores quando o CEO Carlos Ghosn, visto como responsável pela fusão com a japonesa Nissan há duas décadas, foi preso no Japão acusado de fraude fiscal. Com a parceria estremecida, a pandemia acabou atingindo os franceses em cheio, a ponto do governo francês considerar um empréstimo de mais de 30 bilhões de reais para salvar a empresa.

Chefe nega saída

O chefe da equipe de F1 da Renault, Cyril Abiteboul, veio a público para negar as especulações de que o time estaria procurando um comprador, ainda que não "possa ter certeza se vou acabar com essas histórias que volta e meia aparecem."

Abiteboul insiste que tem apoio dos acionistas da montadora para o financiamento de um plano de cinco anos para o time retornar às vitórias. Isso começou em 2017, depois de ter ficado claro que a fábrica precisava de investimento para voltar a estar no nível das maiores equipes da F1, depois de ter ficado por cinco anos nas mãos do grupo de investimentos Genii. Durante este período, a Renault seguiu na F1 como fornecedora de motores e venceu quatro campeonatos com a Red Bull, mas a equipe em si passou a se chamar Lotus e não era administrada pela montadora.

Ao assumir de volta o time, no final de 2015, a Renault visava investir para usar uma extensa mudança de regulamento, programada inicialmente para 2021, mas que vai acontecer em 2022 devido ao coronavírus, para voltar ao topo. O plano vinha dando bons frutos: a Renault pulou de nono para quarto no campeonato em dois anos, mas teve uma queda ano passado e foi quinto. Para completar, desde que a F1 passou a usar os motores V6 turbo híbridos, seu equipamento tem ficado devendo em termos de potência, e a Renault perdeu também todos seus clientes no fornecimento de motores (eles ainda contarão com a McLaren neste ano, mas o time inglês já assinou com a Mercedes para 2021).

Sem a receita vinda das clientes e custando estimados 90 milhões de dólares aos cofres da Renault anualmente, o projeto de F1 certamente passa por revisão neste momento delicado para a montadora.

cyril abiteboul, Chefe da Renault na F1 - Dan Istitene/Getty Images - Dan Istitene/Getty Images
Cyril Abiteboul negou especulações sobre a saída da Renault da F1
Imagem: Dan Istitene/Getty Images

O que pode segurar a Renault?

Algumas decisões tomadas pelas equipes para tentar diminuir o impacto pelo coronavírus podem ser importantes para a permanência da Renault na F1. A primeira delas é o teto orçamentário em 145 milhões de dólares, que será adotado ano que vem. O orçamento atual da equipe (contando salários de pilotos e marketing, algumas das exceções do teto) fica por volta dos 250 milhões, ou seja, a medida não vai afetar tanto o time como Mercedes, Ferrari e Red Bull, que gastam mais de 400 milhões de dólares por ano.

A segunda medida é a adoção de porcentagens de desenvolvimento que serão permitidas às equipes dependendo da posição delas no mundial de construtores. Isso visa diminuir a diferença entre as equipes. E o terceiro ponto é a nova forma de distribuir o dinheiro vindo dos direitos comerciais, algo que tem sido descrito como "mais igualitário" e que é central para a assinatura dos contratos das equipes para permanecerem na F1.

Não é por acaso que Abiteboul insiste que a Renault não tem pressa de escolher o substituto de Daniel Ricciardo para a temporada 2020. Além de Alonso, Valtteri Bottas também é cotado para a vaga, caso não renove com a Mercedes.

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