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Sem "harmonia perfeita", Vettel sai da Ferrari e deixa seu futuro em aberto

Sebastian Vettel chegou na Ferrari em 2015 - Pedro Pardo/AFP
Sebastian Vettel chegou na Ferrari em 2015 Imagem: Pedro Pardo/AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

12/05/2020 05h55

A temporada de 2020 da Fórmula 1 nem começou, mas a peça central do mercado de pilotos do ano que vem já se movimentou: Sebastian Vettel não chegou a um acordo para a extensão de seu contrato com a Ferrari e deixará a Scuderia no final deste ano. O futuro do tetracampeão ainda está em aberto. Ele teria uma proposta da Renault e a porta aberta na McLaren, mas demonstra avaliar deixar a categoria.

"O que aconteceu nos últimos meses fez com que vários de nós refletissem sobre quais são nossas prioridades reais na vida. É preciso usar a imaginação para adaptar uma nova abordagem a uma situação que mudou. Vou dar um tempo para eu refletir sobre o que realmente importa em relação ao meu futuro."

As especulações de que a temporada de 2020 pode ser a última de Vettel na Fórmula 1 não vêm de hoje. O alemão tinha afirmado no passado que as novas regras - que estreariam em 2021, mas foram adiadas para 2022 devido ao coronavírus - seriam fundamentais para sua decisão. E, desde que elas foram divulgadas, o alemão vem deixando claro seu descontentamento.

Leclerc e Vettel durante GP da Rússia - Dimitar Dilkoff/AFP - Dimitar Dilkoff/AFP
Leclerc e Vettel durante GP da Rússia
Imagem: Dimitar Dilkoff/AFP

O tetracampeão entre 2010 e 2013 ainda quis deixar claro que sua decisão de não renovar com a Ferrari não teve motivações financeiras. Há semanas, corria o boato de que ele não teria aceitado uma diminuição em seu salário. Afinal, diferentemente de quando assinou, em 2014, para substituir Fernando Alonso ganhando cerca de 40 milhões de dólares por ano, agora tem de dividir as atenções na Ferrari com Charles Leclerc, que renovou seu acordo com o time até o final de 2024. "Questões financeiras não tiveram qualquer parte nesta decisão em conjunto. Não é desta maneira que eu penso quando tomo minhas decisões e nunca será."

Em suas declarações, Vettel deixou, contudo, outra dica: "Para obter os melhores resultados possíveis neste esporte, é vital que todas as partes trabalhem em harmonia perfeita." De fato, desde a chegada de Leclerc, primeiro piloto que vem da Academia da Ferrari para o time principal, e empresariado por Nicholas Todt, filho de Jean Todt, as atenções começaram a se dividir internamente.

Politicamente para Vettel, a Ferrari acabou se tornando um ambiente bastante diferente daquele em que ele chegou em 2015, assumindo o posto de líder da equipe que pertencia ao desgastado Alonso. Nos anos em que o alemão defendeu a Scuderia, houve uma evolução em termos de rendimento, mas uma série de falhas dele próprio e da equipe na execução das corridas deixou o conjunto longe de brigar, efetivamente, pelo título com a Mercedes de Lewis Hamilton.

Com a chegada de Leclerc, em 2019, as atenções ficaram divididas, e mais uma vez o inglês venceu o campeonato por antecipação, embora em várias pistas o carro ferrarista fosse melhor. Ao comentar a saída do companheiro, o monegasco reconheceu que eles tiveram "alguns momentos tensos dentro da pista, alguns muito bons e outros que não terminaram da maneira como nós esperávamos, mas sempre houve respeito. Nunca aprendi tanto quanto enquanto fui seu companheiro."

Além de ter perdido espaço internamente e não apoiar a maioria das mudanças que vão acontecer em 2022, na Ferrari Vettel conviveria com outra dúvida: como será o rendimento do carro neste ano e no próximo (antes das novas regras entrarem em vigor) depois que o time entrou em um acordo sigiloso com a FIA a respeito de seu motor que, ao que tudo indica, estava ilegal ano passado.

No comunicado em que confirmou a saída de Vettel, a Ferrari salientou que o alemão "já faz parte da história do time e, com suas 14 vitórias, é o terceiro piloto com mais sucesso no time."

Qual o destino de Vettel e quem fica com sua vaga?

Daniel Ricciardo, piloto da Renault - Greg Baker/AFP - Greg Baker/AFP
Imagem: Greg Baker/AFP

Se Vettel deixar a Fórmula 1, será por escolha própria, e não por falta de vagas. A Renault já teria feito uma proposta, uma vez que Daniel Ricciardo, contratado a peso de ouro em 2018, não estaria feliz na equipe. Ricciardo, inclusive, é um dos pilotos que figuram há anos na lista de possíveis contratados pela Ferrari.

Outro nome forte na Scuderia é do espanhol Carlos Sainz Jr. O piloto tem contrato com a McLaren até o final deste ano e foi um dos grandes destaques do campeonato do ano passado. Neste caso, abriria-se uma vaga no time inglês, quarto no mundial do ano passado, que poderia interessar a Vettel.

São várias as vagas que podem se abrir ano que vem. Nem mesmo a Mercedes tem pilotos sob contrato - Lewis Hamilton negocia a renovação e Valtteri Bottas teria de esperar o início da temporada. Na Red Bull, há em teoria a vaga de Alex Albon, mas a chefia da equipe já afirmou que, embora gostaria de ter Vettel de volta, não tem como pagar dois grandes salários no momento. O time tem Max Verstappen confirmado até o final de 2023.

Como o próprio Ricciardo disse recentemente que esperar até a temporada começar pode ser tarde demais para definir seu futuro, pode ser que sejam anunciadas mais mudanças antes de 5 de julho, quando a F1 espera conseguir iniciar sua temporada, na Áustria.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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